Em breve o município deve abrir um albergue que irá funcionar onde era o Centro de Convivência na Vila Oliveira. O prédio está sendo reformado para que o número de vagas seja ampliado de 12 para 60 pessoas atendidas diariamente. “Depois de reformado, com recursos do tesouro municipal, terá capacidade para 60 pessoas, resolvendo em definitivo essa questão, porque vai ser um albergue grandão, não uma casa”, disse o secretário municipal de Assistência Social, Aurindo José Ribeiro.

No entanto, o número de vagas ficaria muito abaixo da população que se encontra em situação de rua em Montes Claros. Como citado na matéria da página anterior, a estimativa é a de que haja 140 moradores de rua e 700 pessoas em situação de rua. 

O secretário ressaltou que a pasta mantém e equipe de abordagem, “a antiga ronda social, formada por seis e até oito pessoas”. “Temos assistentes sociais, educadores-cuidadores e, no bairro Canelas, fornecemos gratuitamente 80 refeições por dia no Centro Pop, o lugar é dos moradores em situação de rua, é deles”, afirmou.

Aurindo ponderou que o problema é complexo. “Temos quem mora na rua, aqueles que pedem na rua, os que laboram, que ficam nos sinais, ou seja, que têm casa para morar, como os artistas de rua, os de passagem, sendo que dispomos de apenas R$ 4 mil por mês para encaminhar aos municípios de origem uma média de 70 pessoas por mês”, explica.

Muitos que estão nas ruas de Montes Claros vieram de outras cidades da região, ou até mesmo da Bahia, para tentar a sorte no município, e acabaram sem “eira nem beira”. Alguns aceitam ajuda para voltar para casa, outros preferem ficar na cidade.

E o poder público não tem muita capacidade de intervenção, segundo o secretário de Defesa Social, Anderson Chaves. “A secretaria, através da Guarda Municipal, age de maneira preventiva ou, em caso de ocupação ilegal, a gente faz o acompanhamento dos assistentes sociais. Mas em momento algum fazemos a remoção de qualquer material pertencente àqueles que vivem em situação de rua, porque a lei não nos permite isso. Tomamos todo o cuidado e temos respeito com cada um deles”, ressalta.

Dessa forma, segundo o secretário, “a nossa tarefa é acompanhar os assistentes ou mesmo os fiscais para garantia da integridade física de ambas as partes, a exemplo do que ocorre com os profissionais da prefeitura que verificam o Código de Posturas, fiscalizações ambientais, ou seja, nossa missão é a guarda patrimonial”, diz. 

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Restaurante vira abrigo

Bem próximo ao centro histórico de Montes Claros, a antiga cozinha do Restaurante Popular – fechado, depredado e saqueado –, abriga andarilhos, dependentes químicos e pessoas que não têm um teto, como o casal Marcos e Delma, que está grávida de quatro meses.

Naturais de Montes Claros, eles contam que moravam na Vila São Francisco de Assis, o “Morro do Frade”, onde conviviam com os três filhos. Delma, que às 10h já preparava o almoço, disse ter ficado muitos dias limpando a área onde eram preparadas as refeições vendidas a R$ 1 e que saciavam a fome de mais de 1.500 pessoas por dia.

“Vivo de reciclagem”, explica o companheiro, mostrando o carrinho de supermercado lotado de papel, pet, plástico e latinhas.

A Pastoral de Rua é considerada de extrema importância para a defesa dos direitos daqueles que vivem em situação de vulnerabilidade social. Segundo Welison Ribeiro Coutinho, conselheiro da entidade, eles se mobilizam em favor dessa parcela da população. “Atuamos tanto no social como no espiritual. Já fizemos seminários, audiências púbicas e temos uma parceria muito forte com a Promotoria de Justiça”, informou.

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