Variedades

Uma mente brilhante

Montes-clarense é aceito em duas instituições mundiais para gênios

Alexandre Fonseca
Publicado em 20/07/2022 às 22:48.
 (Divulgação)

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Nos filmes de ficção científica, eles são representados por pessoas enclausuradas em seus laboratórios, com os cabelos arrepiados e quase sempre em busca de soluções para algum problema até então não resolvido. Porém, na vida real, os gênios ou superdotados, como também são conhecidos, são pessoas mais comuns e que vivem uma vida como a de qualquer um. Quer dizer, com uma diferença: essas pessoas representam um grupo muito seleto em todo mundo.

E um dos integrantes dessa lista de “mentes brilhantes” é o arquiteto montes-clarense Nelson Rocha, de 36 anos, que conversou com O NORTE sobre sua singularidade mental. 

Recentemente aceito em duas instituições internacionais para gênios do mundo inteiro, a norte-americana Intertel e a britânica Mensa Internacional, Nelson Rocha possui um Quociente de Inteligência (Q.I.) de 143 pontos.

Para termos uma ideia, o arquiteto é um dos nove brasileiros integrantes da Intertel que só aceita pessoas com percentual acima de 99, equivalente a 135 pontos ou mais na escala Wechsler de inteligência.
 
ACIMA DA MÉDIA
Graduado como arquiteto e urbanista em 2010, além dos estudos na área do empreendedorismo, Nelson conta que desde criança expressou traços de criatividade acima da média e que gostava, por exemplo, de desmontar seus brinquedos para compreender como as engrenagens funcionavam para usá-los, posteriormente, em algumas de suas invenções. 

“Sempre notei que eu tinha um perfil diferente, mas nunca imaginei que isto estaria ligado à capacidade cognitiva. Em algumas fases da minha vida até cheguei a acreditar que eu não era bom o bastante para lidar com os estudos que a escola me demandava, pois não gostava de nada que me exigisse decorar algum conhecimento para fazer alguma prova, pois achava monótono e desgastante. Sempre preferi disciplinas como geometria plana e espacial em detrimento de história, por exemplo, mas as preferidas eram as que envolviam algum tipo de desafio, como as feiras de ciências ou artes”, diz. 

Entretanto, após muitos anos e idas em médicos diferentes, foi somente com o auxílio da neuropsicóloga Nathalie Gudayol, em São Paulo, que Nelson teve o diagnóstico de superdotação. Após uma bateria de testes neuropsicológicos aprovados cientificamente para mensurar capacidades cognitivas, Nathalie pôde entender o caso e orientar a busca pelas instituições para superdotados.

Em relação ao perfil dessas pessoas com capacidades singulares, Nathalie comenta: “Pessoas com QI mais alto controlam melhor os impulsos, geralmente com um melhor senso de planejamento, objetivos e premeditação. As pessoas com QI mais alto preferem esperar por uma recompensa maior a longo prazo do que ter uma recompensa menor imediatamente. Muitas pessoas inteligentes já foram consideradas estranhas ou arrogantes porque quebram regras, padrões de pensamento e tradições. Mas ver as coisas de uma maneira diferente e quebrar padrões são alguns dos fatores que ajudam na evolução da sociedade”, afirma.
 
LIBERTAÇÃO 
Nelson conta que o diagnóstico foi algo libertador, pois, a partir disso, ele pôde compreender melhor sobre quem ele é. “Pude compreender melhor a minha capacidade de raciocínio lógico, abstração de conceitos e capacidade criativa, e isso me fez direcionar meu foco para atividades de criação de soluções inovadoras para o mercado imobiliário, algo que eu já fazia, mas não tinha como a principal atividade”.

Ele ressalta que uma pessoa superdotada não significa ser uma pessoa culta ou com um vasto conhecimento sobre determinado assunto, como um especialista. “Entendo que são pessoas que possuem uma alta capacidade de processamento de informações, cruzamento de dados e formulação de ideias, e que fazem isso de forma rápida e objetiva” completa.

Política de educação especial
Os portadores de altas habilidades ou superdotados são contemplados pela Política Nacional de Educação Especial (PNEE) criada em 1994. De acordo com a cartilha “Saberes e Práticas de Inclusão” (2006), do Ministério da Educação, apesar de ser um grupo heterogêneo, algumas pessoas, assim como Nelson Rocha, quando criança, podem apresentar características em comum, como “grande curiosidade a respeito de objetos, situações ou eventos, com envolvimento em muitos tipos de atividades exploratórias”. Podem ainda apresentar “habilidade para apresentar alternativas de soluções, com flexibilidade de pensamento”, “capacidade de julgamento e avaliação superiores, ponderação e busca de respostas lógicas, percepção de implicações e consequências, facilidade de decisão”, entre outras. 

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