
A cantora e compositora montes-clarense Hellen Fernanda lançou o clipe da canção “O João de Barro”, gravado às margens do Rio São Francisco, em Januária (MG), ao nascer do sol. Com estética poética e sensível, o vídeo valoriza elementos culturais da região e dialoga com a narrativa intimista da música. A artista, que tem um repertório autoral diverso, também assina canções como “Eu Amo Aquele Cara”, “Vai Lembrar de Mim” e “Rainha do Rodeio”. A música já está disponível nas plataformas digitais, e o clipe pode ser conferido nas redes sociais da cantora. O projeto foi realizado com recursos da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais (Lei Paulo Gustavo), edital nº 001/2024.
Como nasceu a canção “O João de Barro” e o que esse momento da pandemia despertou em você como artista e ser humano?
A canção nasceu durante a pandemia, um período em que o mundo desacelerou e foi possível observar a vida com mais atenção. Apesar de a música não falar diretamente sobre esse momento, ele me permitiu enxergar com mais profundidade a sensibilidade da natureza e refletir sobre como precisamos aprender com os animais, seu cuidado e seu amor. Foi um tempo de silêncio, observação e conexão, que acabou despertando essa composição de forma muito natural
A imagem da casinha de João de Barro no ipê florido foi decisiva para a composição. O que essa cena representou emocionalmente para você?
Aquela cena representou paz, simplicidade e perfeição. Ver a casinha do João de Barro construída sobre um ipê florido me tocou profundamente, porque ali estava o equilíbrio entre o trabalho do animal e a beleza da natureza. Foi um momento de encantamento, que trouxe emoção e inspiração imediata para a letra e a melodia.
A música propõe um olhar mais respeitoso e humano sobre o João de Barro. Por que foi importante se afastar das interpretações populares mais negativas?
Porque eu acredito que os animais carregam pureza e não maldade. Muitas histórias populares acabam projetando sentimentos humanos que não fazem parte do mundo natural. Na música, quis mostrar o João de Barro como um exemplo de cuidado, construção e amor, convidando o ser humano a refletir sobre suas próprias atitudes e aprender com a natureza.
De que forma a natureza influencia o seu processo criativo e a sua forma de compor?
A natureza é uma grande fonte de inspiração para mim. Ela desperta sensações, emoções e reflexões que acabam se transformando em música. Estar em contato com o campo, com a mata, com os rios, me ajuda a compor de forma mais verdadeira, sensível e conectada com aquilo que eu sinto.
A sonoridade do sertanejo romântico clássico aparece de forma delicada na música. Essa estética dialoga com sua identidade musical?
Sim. O sertanejo romântico clássico reflete muito das músicas que eu escuto desde criança, aquelas canções suaves, familiares, que fizeram parte da minha formação musical e afetiva. Esse estilo me acompanha até hoje e aparece naturalmente em “O João de Barro”. Ao mesmo tempo, sou uma artista muito eclética e gosto de ouvir e experimentar diversos estilos musicais. Essa música, em especial, também é uma homenagem a todas as pessoas que lutaram e ainda lutam pelo reconhecimento e pela valorização da cultura sertaneja. Apesar de ser um projeto com essa estética mais clássica, tenho canções em diferentes vertentes, como “Eu Amo Aquele Cara”, “Vai Lembrar de Mim” e “Rainha do Rodeio”, com uma pegada mais dançante, que também me representam e fazem parte dos meus projetos futuros.
Os elementos visuais do clipe remetem a uma viagem ao passado. Qual mensagem você quis transmitir com essa estética cinematográfica?
A ideia foi trazer um resgate da memória, da cultura e da simplicidade. Os elementos visuais, como o barco de madeira e as vestimentas, remetem a um tempo em que as relações eram mais próximas da natureza e da essência humana. Quis criar uma estética que dialogasse com a história, com as raízes e com o sentimento da música
Sendo uma artista norte-mineira, qual a importância de valorizar as paisagens, a cultura e os símbolos da sua região no seu trabalho?
É fundamental. O Norte de Minas é muito rico culturalmente e cheio de símbolos fortes. Valorizar nossas paisagens, nossa história e nossa identidade é uma forma de dar voz à região e mostrar para o Brasil a beleza que existe aqui.
O que você espera que o público sinta ou reflita ao ouvir e assistir “O João de Barro”?
Espero que o público sinta calma, sensibilidade e conexão. Que a música desperte um olhar mais atento para a natureza e uma reflexão sobre o cuidado, o respeito e o amor, tanto com o meio ambiente quanto entre as pessoas.
