Minas floresce

Segundo maior produtor de flores do país, Estado mapeia segmento para crescer

Patrícia Santos Dumont
Hoje em Dia - Belo Horizonte
Publicado em 04/12/2018 às 06:15.Atualizado em 28/10/2021 às 04:03.

Tradicionalmente reconhecida pelas lavouras de café, Minas está de olho, agora, no cultivo de flores. Segundo maior produtor do país, perdendo apenas para São Paulo, o Estado ganhará no primeiro semestre do ano que vem um diagnóstico mais profundo sobre a produção. O objetivo do levantamento é estruturar melhor e explorar todo o potencial da cadeia.

Superintendente de Desenvolvimento Agropecuário da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas (Seapa), Carlos Eduardo Oliveira Bovo diz que o mapeamento dará mais condições ao Estado de propor políticas públicas que fortaleçam o trabalho dos floricultores mineiros.

Um dos primeiros passos da reestruturação do segmento é a possibilidade de atuação no Pavilhão Mercado Livre do Produtor da Ceasa, em Contagem, na Grande BH, a partir de janeiro. A venda de flores e plantas no local acontecerá às terças, quintas e sábados e estará condicionada a um regulamento definido pela central de abastecimento.

A expectativa do superintendente da Seapa é a de que pequenos agricultores do Estado incorporem a floricultura nas atividades já desenvolvidas.

“É uma cadeia na qual temos muito interesse, pois trata-se de um mercado que cresce bastante no mundo inteiro e que tem imenso potencial em Minas. A abertura da Ceasa é uma iniciativa que caminha em paralelo ao diagnóstico preparado e que dará condições para que a cadeia seja mais bem visualizada e, assim, se fortaleça. Embora seja um segmento promissor, digamos que ainda estamos engatinhando em relação a São Paulo, por exemplo, que responde pela maior produção do país”, afirma Bovo.
 
ORGANIZAÇÃO
Coordenador técnico estadual de Planejamento da Emater-MG, Edson Logato explica que o controle de safra da floricultura mineira é realizado, há cerca de três anos, pelos municípios produtores, do qual depende quase que inteiramente. A cidade produtora é responsável por alimentar o sistema on-line de maneira independente.

“Cada uma lança a respectiva produção num sistema usado por todos, mas não há uma organização como em Holambra, onde a cadeia já é bem consolidada e fortalecida”, acrescenta.

Ele explica que a floricultura mineira é dividida em seis subgrupos: flores envasadas, flores de corte (ramalhetes), gramas, mudas de folhagens, arbustos e outras, mudas de forração e mudas de palmeira. Dentre os maiores produtores do Estado de flores de corte estão Andradas (Sul de Minas) e Barbacena (Campo das Vertentes) – esta última conhecida como Cidade das Rosas.

Destacam-se no grupo produtor de flores envasadas os municípios de Patos de Minas (Triângulo), Itapeva (Sul) e Guidoval (Zona da Mata).

Beleza que vai ao prato
Ainda pouco utilizadas nas cozinhas brasileiras, as flores comestíveis também vêm ganhando espaço em Minas graças a um projeto desenvolvido na região de São João del-Rei, no Campo das Vertentes. Pesquisadores da Epamig mantêm um jardim com variedades como capuchinha, amor-perfeito e calêndula e incentivam o cultivo de exemplares sem aditivos químicos para consumo humano.

O objetivo da pesquisa, financiada pela Fapemig, é estimular pequenos horticultores a engordarem a renda incluindo as variedades. “Se aumentamos a oferta, conquistamos maior demanda”, reforça Izabel Cristina dos Santos, que integra o projeto no Campo Experimental Risoleta Neves.

Para que possam ser consumidas, as espécies precisam ser livres de agrotóxicos e fertilizantes químicos –cultivadas em sistemas orgânicos ou agroecológicos, portanto.

Incentivar a produção de flores de corte em sistemas “limpos” é também objeto de estudo da pesquisadora Simone Novaes Reis – coordenadora do Programa Estadual de Pesquisas em Floricultura da Epamig. Segundo ela, tão importante quanto garantir segurança alimentar é conscientizar os produtores sobre os cuidados com a própria saúde.

“São culturas muito exigentes em nutrientes e, por isso, alguns produtores abusam de químicos. Se conseguirmos mostrar que é possível reduzir esse uso, com controle biológico de pragas e de adubos orgânicos, beneficiaremos produtor, meio ambiente e consumidor final”, diz.

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