Variedades

Colecionadores pagam até R$200 por vinis e DVDs

Mídias físicas entram na briga contra o streaming

Paulo Henrique Silva (Hoje em Dia)
Publicado em 28/07/2022 às 03:42.
Filme de terror? Guimarães brinca dizendo que o quarto é um lugar assustador, com pilhas de DVDs por todos os lados (Lucas Prates/Hoje em Dia)

Filme de terror? Guimarães brinca dizendo que o quarto é um lugar assustador, com pilhas de DVDs por todos os lados (Lucas Prates/Hoje em Dia)

Mídias antes condenadas a virarem artigo de museu, devido ao surgimento de novas tecnologias, estão ganhando novo fôlego entre cinéfilos e apreciadores da boa música. A procura por filmes em VHS e DVD e músicas em vinil criou uma espécie de “caça ao tesouro”, em que um disco de rock progressivo pode chegar a R$ 200.

A capital mineira está cheia de cartazes onde se lê “compro vinil” e há quem tire o sustento da compra e venda de DVDs antigos. No caso dos filmes, a explicação está numa constatação sobre o universo do streaming: obras antigas “desapareceram”, estando impossíveis de serem acessadas nas plataformas.  

“As pessoas procuram os clássicos e não encontram”, registra Marcello Guimarães, ex-atendente de videolocadora e um dos nomes mais procurados por cinéfilos em busca de algum título específico. O acervo dele, concentrado num quarto de apartamento, conta com nada menos do que 10 mil DVDs.

O colecionador, dono também de mais de 5 mil cartazes de cinema, percebe uma questão comportamental nessa ressurreição das antigas mídias. 

“O fato de se ouvir o chiado do vinil faz parte da música, assim como o chuvisco das imagens do VHS se torna inerente ao filme. Eles têm seu charme”.

Ele destaca que, com a “virtualização” das coisas, hoje as pessoas querem ter a sensação de poder pegar no objeto. “É o que acontece com o livro. Você tem o PDF, mas prefere folheá-lo do que ficar à frente do notebook”, assinala Guimarães, que passou a dar mais valor à coleção após entrar num curso de conservação e restauração.

A criação de uma espécie de museu da imagem e do som já passa, inclusive, pela cabeça. “Não quero isso tudo só para mim. Gostaria de compartilhar, criando uma salinha para pessoas verem, ou emprestando, por exemplo, um filme sobre tribunal para uma associação de advogados fazer uma sessão comentada”, anseia.

O CD é o menos procurado. Entre fazer um download e comprar um disco compacto, a primeira opção ainda acaba sendo a melhor para muita gente.

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