meio ambiente

Ameaça ao Velho Chico

Biólogos alertam para desaparecimento de peixes no rio devido à poluição

Raíssa Oliveira (Hoje em Dia)
Publicado em 22/06/2022 às 00:24.
Matrinxã está entre espécies ameaçadas de extinção e que podem ser vistas no Aquário do Rio São Francisco, do Zoológico de Belo Horizonte. (Daniel Alves/Divulgação)

Matrinxã está entre espécies ameaçadas de extinção e que podem ser vistas no Aquário do Rio São Francisco, do Zoológico de Belo Horizonte. (Daniel Alves/Divulgação)

Biólogos do Aquário do Rio São Francisco, no Zoológico de Belo Horizonte, alertam para o risco de extinção de peixes de água doce que ainda podem ser encontrados na bacia. Poluição e perda do habitat por ações humanas – principalmente pelas construções próximas às áreas ribeirinhas, incluindo hidrelétricas – são os maiores desafios.

De acordo com o biólogo Gladstone Corrêa de Araújo, o problema foi identificado durante trabalhos de coleta de espécies para fortalecimento genético. Dificuldades têm sido enfrentadas para apanhar os animais.

“Fazemos coletas com autorização para melhorar a genética. Com isso, já observamos mudanças na quantidade dos animais. Hidrelétricas são problemas para espécies que fazem a piracema”, alerta o especialista.

O biólogo explica que represas, construídas no leito do rio, bloqueiam a movimentação dos peixes que se reproduzem nas correntezas. Com o fim da piracema, eles não conseguem mais subir o rio para se reproduzir, provocando um declínio intenso no número de cardumes. 

Dentre as mais afetadas estão as chamadas migradoras, como curimatá-pacu, curimatá-pipa, dourado, matrinxã, piau-verdadeiro, pirá e surubim.
 
POLUIÇÃO
Outra ameaça é a poluição dos cursos d’água. Gladstone Corrêa conta que no Paraopeba – afluente do São Francisco, atingido pela lama de rejeitos da barragem da Vale, em 2019, na Grande BH –, o trabalho para encontrar espécies antes identificadas com frequência é ainda maior.

“Percebemos na última visita que o número de peixes diminuiu muito. Ainda não há um cálculo exato”, afirma o biólogo.

A bacia hidrográfica do rio São Francisco possui rica diversidade de fauna e flora, com pelo menos 152 espécies nativas identificadas. 

Dessas, 54 estão preservadas no aquário administrado pela Fundação Zoo-Botânica de BH. Na lista, algumas já ameaçadas de extinção, como pirá-tamanduá, pacman e a matrinxã.

Para ajudar a conscientizar a população sobre o risco do desaparecimento dessas espécies, o Aquário realiza, diariamente, visitas com intervenções educativas.

“Queremos, através da exposição desses animais, mostrar para as pessoas a beleza da fauna e da flora existentes no São Francisco. Os visitantes se encantam com a diversidade e saem daqui com o alerta de que tudo isso pode ser extinto, caso não busquemos meios de conservação”, ressalta Gladstone.

POUCAS RESPOSTAS
Por meio de nota, a Vale informou que levar o rio Paraopeba aos “parâme-tros anteriores ao rompimento é uma das prioridades da empresa”. A mineradora disse ainda que novos investimentos serão feitos para a recuperação do curso d’água. 

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco foram procurados, mas não houve retorno até o fechamento desta edição.
 
AQUÁRIO
O Aquário da Bacia do Rio São Francisco faz parte do Zoológico de BH e recebe visitantes de terça a domingo. Fica na avenida Otacílio Negrão de Lima, 8.000, Portaria I.

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