Para combater o tráfico de animais silvestres, a Polícia Federal (PF) realizou ontem a operação Urutau, deflagrada nos Estados de São Paulo, Goiás, Mato Grosso, Pará e Minas Gerais – onde o foco desta vez foi a cidade de Januária. Esse tipo de crime é comum na região Norte do Estado, especialmente em cidades que possuem rios e cachoeiras. Somente neste ano, o Instituto Estadual de Florestas (IEF) já recebeu 382 animais silvestres resgatados de operações realizadas na região –90% são aves.

“É comum esse tipo de crime em nossa região. Mesmo com o trabalho de prevenção da polícia de Meio Ambiente, o que mais vemos é a comercialização de animais silvestres vivos, principalmente pássaros. Eles (traficantes) saem do Norte de Minas e de algumas regiões da Bahia para comercializar em São Paulo, além de outros estados, onde é costume comprar esse tipo de animal”, pontua o comandante do pelotão da Polícia de Meio Ambiente, Davi Pereira de Oliveira Júnior.
 
MAUS-TRATOS
Na ação, deflagrada ontem, diversos animais foram recuperados, entre eles, macacos-prego, ararajubas, araras-canindé, araras-vermelhas, tucanos-tocos e papagaios-verdadeiros.

Em Januária, uma pessoa foi presa. Nos outros estados (São Paulo, Goiás, Mato Grosso e Pará), a PF cumpriu 14 mandados de prisão e 16 de busca e apreensão. De acordo com as investigações da PF, os traficantes vendiam os animais com notas fiscais falsificadas ou sem emissão de documento fiscal. Eles também os colocavam à venda em redes sociais e sites na internet, assim agindo em todo o território nacional.

Ainda segundo a PF, os animais eram mantidos em cativeiro e transportados em péssimas condições de higiene, configurando maus-tratos. Além disso, expunham a perigo a vida ou a saúde de outrem, mediante a comercialização de animais silvestres retirados da natureza de forma ilícita, assumindo o risco de promover a transmissão de zoonoses.