Ex-presidente da Comissão de Assuntos Penitenciários da OAB/MG e estudioso do sistema prisional há 16 anos, o advogado Fábio Piló reforça que, em cidades do interior, muitos celulares são atirados por cima dos muros dos presídios. “Essas unidades, às vezes, estão em lugares de grande circulação de pessoas, as muralhas são baixas”, conta.

De acordo com o advogado criminalista e membro da Comissão de Assuntos Carcerários da 11ª Subseção da OAB-Montes Claros, Marcos Fellipe, a superlotação dificulta a realização de vistorias nos dias de visita. “Quanto mais presos temos em nosso sistema prisional, maior o número de visitas de familiares em presídio. A cada visita semanal, o número de pessoas a serem revistadas tem aumentado vertiginosamente, e enfrentamos um enorme déficit de agentes penitenciários. Isso facilita, em tese, que esses aparelhos cheguem até o preso”.

Por outro lado, ressalta Marcos Fellipe, os presos têm conseguido convencer parentes e/ou cônjuges a se arriscarem para ingressar nas unidades prisionais com os telefones. “Temos muitas companheiras de detentos sendo presas nessa prática e levadas ao presídio Alvorada. São processadas e condenadas pelo crime”, diz.

Coordenador estadual do Instituto de Ciências Criminais do Brasil, Eduardo Milhomens explica que as pessoas flagradas tentando entrar com celulares nos presídios podem ser presas, ficando de três meses a um ano atrás das grades. “Pode responder por associação criminosa e organização criminosa”.  
 
ROTINEIRAS
O presidente do Sindicato dos Agentes de Segurança Penitenciária de Minas, Adeílton Rocha, afirma que as apreensões de celulares são rotineiras e diversificadas. Os modelos encontrados também são variados, dos antigos aos mais modernos. “Todos os fins de semana a gente localiza aparelhos introduzidos no corpo dos visitantes”.

Segundo Adeílton, os recolhimentos são mais frequentes em unidades maiores. “Falta uma tecnologia de bloqueador de sinal atualizada para redes 4G e até 5G”, conta. Ele admite que há casos de corrupção, mas garante que, sempre que identificados, os responsáveis são conduzidos à polícia.