Nesta última segunda-feira (28), foi publicada no Diário Oficial da União a Resolução n.º?2.436/2025, do Conselho Federal de Medicina (CFM), que proíbe o uso de anestesia, seja sedação, anestesia geral ou bloqueios periféricos, para facilitar a realização das tatuagens estéticas. A exceção vale somente para procedimentos reparadores e somente em ambientes hospitalares ou clínicos, que dispõem de equipamentos de suporte à vida.
A médica Ariadna Janice Drummond, presidente do Sindicato dos Médicos de Montes Claros e do Norte de Minas, acredita que a proibição veio em virtude do crescimento de situações provocadas pelo uso de anestésicos em ambientes impróprios, situação que se reflete especialmente em grandes centros. “O bloqueio anestésico, que é você injetar anestésico na pele do paciente, ele deve ser junto com o médico, em ambientes apropriados, porque isso pode causar efeitos colaterais no paciente. Se vai fazer uma cirurgia, precisa passar pelo anestesiologista, fazer o risco cirúrgico”, explica a médica, ressaltando que a medida adotada pelo conselho é acertada no sentido de garantir a proteção do paciente.
Quanto ao uso de anestésico tópico (pomada), a resolução do CFM não traz proibição. Conforme a médica, “outro ponto da resolução é a respeito dos pigmentos com chumbo que podem acarretar toxicidade para a pessoa. A anestesia tornaria o procedimento mais profundo ou prolongado”, complementa Ariadna Janice, ressaltando que a situação deverá ter desdobramentos ou regulação, que devem ser observados a partir da publicação.
Empresária da área de gastronomia e cultura, Sarah Sanches é adepta das tatuagens e fez a primeira aos 20 anos. Hoje, aos 33, contabiliza 14 tatuagens pelo corpo. Recentemente, observou uma reação alérgica e, orientada pelo tatuador e por um médico, optou por fazer as sessões menos prolongadas e com intervalos maiores. “Agora faço por etapas. Ao invés de 10 horas, eu fico duas horas e espero um mês antes da próxima sessão”, conta. Em relação à anestesia, Sarah diz que nunca utilizou, mas ainda assim é contra a proibição, e não vê tanto sentido, já que “as anestesias usadas geralmente são pomadas, e quem quer usar deve se responsabilizar por possíveis reações adversas. Estão falando como se fosse algo aplicado com agulha e seringa, sendo que não é isso”, opina. Por outro lado, avalia que fazer tatuagem dói, mas é necessária para ter o resultado que almeja e ainda há muito espaço para ser preenchido. “É uma forma que eu tenho de aproximar a minha estética da estética que eu tenho de mim, na minha cabeça”, conclui.
O tatuador Pablo Santos, responsável pela maioria das tatuagens de Sarah, reforça que nunca utilizou anestesia e considera que a proibição nem precisaria existir, pois não faz parte do universo do tatuador. “Anestesia é algo perigoso e pode gerar uma fatalidade. As pessoas que optam por fazer uma tatuagem devem saber que é um processo dolorido e a dor faz parte disso. Não tem muito o que fazer. Não uso no meu estúdio e nunca pensei em usar”, diz.
Pablo alerta que reações adversas ou peles sensíveis, como a de Sarah, são raras. Contudo, antes de realizar uma tatuagem, ele realiza uma entrevista com o cliente para verificar se há alergias ou uso de medicamentos que possam interagir com os produtos utilizados. Isso ressalta a importância de procurar profissionais responsáveis no mercado. “A responsabilidade vai desde a utilização de produtos aprovados pela Anvisa, a aplicação, higiene e descarte de produtos em recipientes apropriados e orientação ao cliente”, destaca.