O baixo índice de proteção contra o sarampo coloca o Norte de Minas no alvo da doença que já registra quatro casos confirmados no Estado neste ano. Menos de 40% dos moradores dos 53 municípios sob a responsabilidade da Unidade Regional de Saúde de Montes Claros, de 1 a 29 anos, já tomaram as duas doses da vacina tríplice viral, necessárias para a imunização.

Quando se analisa o público de até 49 anos, com apenas uma dose recebida, o índice sobe para 67%, mas ainda fica muito abaixo da meta de 95% preconizada pelo Ministério da Saúde.

A situação é ainda mais alarmante entre os jovens de 20 a 29 anos – menos de 2% receberam as duas doses da tríplice viral, única maneira de se prevenir contra sarampo, rubéola e caxumba.

O cenário preocupante no Norte de Minas repete o quadro mineiro. No Estado, o número de pessoas desprotegidas contra o sarampo equivale à população das 34 cidades da Grande BH. No território, mais de 5,3 milhões de pessoas, de 1 a 29 anos, não tomaram a vacina que previne a doença.

A situação, que já lança um alerta, preocupa ainda mais devido ao surto enfrentado em São Paulo. No Estado vizinho, mais de 633 casos foram confirmados.

Neste ano, quatro pacientes mineiros tiveram o diagnóstico positivo para a enfermidade. Ao todo, foram 190 notificações em 73 cidades, conforme dados divulgados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES). 

A orientação é para que os não imunizados procurem os centros de saúde para tomar a dose contra o sarampo. A recomendação se torna mais essencial porque a campanha nacional de vacinação, realizada todos os anos em agosto, foi adiada para outubro.

A faixa etária de 1 a 29 anos não deve perder tempo, afirma Virgínia Antunes, vice-presidente da Sociedade Mineira de Infectologia (SMI). Segundo ela, mesmo as pessoas que já tomaram uma dose da vacina precisam reforçar com a segunda. “É o que garante a proteção dessa parcela da população”.
 
CONSCIENTIZAÇÃO
O professor Flávio Fonseca, da UFMG, reforça a importância da imunização. Ele afirma que o índice de habitantes desprotegidos é reflexo da disseminação das fake news. Para o virologista, ações de conscientização são urgentes.

“Podemos atribuir essa onda de casos em São Paulo à difusão de notícias falsas pelas redes sociais e aplicativos de troca de mensagens. São pessoas que replicam a ideia de que vacina causa efeitos maléficos, o que não é verdade”, frisa o especialista.

Dos quatro casos de sarampo confirmados em Minas em 2019, dois foram registrados em Belo Horizonte.
(Colaborou Carlos Castro Jr.)