A vacina para imunização contra a Covid-19 deve ser tomada por todos. Nem mesmo quem já teve a doença, e considera estar livre do novo coronavírus, pode deixar de se proteger. A recomendação dos médicos para se blindar é amparada, principalmente, pelos casos de reinfecção já registrados.

Até o momento, duas notificações foram confirmadas no Brasil desde o início da pandemia, em março. No mundo, registros de doentes que voltaram a lutar contra a grave enfermidade, capaz de matar, também já foram comunicados pelas autoridades.

“Não se sabe muito sobre o tempo de imunidade naquelas pessoas que já tiveram a doença. Então, mesmo para elas, a vacinação está recomendada, para que os anticorpos, em algum momento, não caiam”, atesta o infectologista Estevão Urbano, membro do Comitê de Enfrentamento à doença em BH. 

Para aqueles que têm receio em tomar a dose, o especialista explica que os efeitos colaterais podem ser pequenos – como em qualquer imunização – ou nem existir. “É uma vacina segura, seja ela qual for. O tempo de duração, de valia dela, ainda é desconhecido, mas os efeitos colaterais são muito pequenos. A maioria das pessoas nem terá”, acrescentou.
 
VACINAÇÃO EM BH
Na última sexta-feira, o prefeito Alexandre Kalil afirmou que a cidade poderá estocar mais de 1 milhão de doses da farmacêutica Pfizer.

Freezers da UFMG estarão à disposição para armazenar os imunizantes. “Em relação ao plano de vacinação, seja ele de qualquer vacina, nós temos condições de iniciar imediatamente. Estamos preparados”, garantiu Kalil.

Com um plano “robusto”, disse, e insumos disponíveis, ele afirmou que há, ainda, a possibilidade da imunização ser oferecida em farmácias por meio de uma parceria com os estabelecimentos. Porém, não revelou detalhes.

Também na semana passada, a PBH anunciou a compra da CoronaVac, do Instituto Butantan, produzida pela farmacêutica chinesa SinoVac. Conforme a administração municipal, quando aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o imunizante será aplicado no dia seguinte. As primeiras doses serão para os profissionais de saúde da capital.

Quem já teve a Covid-19 deve tomar a vacina que será disponibilizada?

“Nós sabemos que a imunidade registrada por quem já teve contato com o vírus pode não ser duradoura. Com a vacinação, a pessoa conservará essa imunidade por mais tempo”. Estevão Urbano, infectologista

 

SAIBA MAIS
Na última quarta-feira, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou que, no Brasil, a campanha de vacinação contra o novo coronavírus poderá começar em fevereiro de 2021, caso os laboratórios com vacinas em fase adiantada de produção cumpram todas as etapas burocráticas até o fim 
deste ano.
 
“Se mantido o que o Instituto Butantan e a Fiocruz previam, ou seja, se a fase 3 dos estudos e toda a documentação das fases 1 e 2 forem apresentados, e os registros solicitados à Anvisa ainda em dezembro, nós, possivelmente, teremos as vacinas em meados de fevereiro para dar início ao plano”, declarou Pazuello.
 
Pazuello lembrou que, além do habitual trâmite de aprovação do imunizante, no qual a Anvisa precisa atestar a integral eficácia e segurança dos produtos a partir da análise minuciosa, os laboratórios também podem pedir uma autorização para o uso emergencial, o que, se aprovado, lhes permitirá atender a um reduzido grupo de pessoas, conforme autorizado.