Vetor da dengue, zika e chikungunya, o Aedes aegypti pode se tornar um aliado contra inflamações no intestino. Uma proteína presente na saliva do mosquito se mostrou eficaz para tratar doenças como a colite, que provoca diarreia, hemorragia, perda de peso e febre.

O resultado foi obtido em pesquisa do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB), da Universidade de São Paulo (USP). O estudo está em andamento desde 2014. O próximo passo é a realização de ensaios clínicos e, futuramente, analisar o mesmo potencial para combater enfermidades autoimunes.

Segundo os cientistas, a proteína do Aedes é encontrada em maior quantidade em fêmeas já adultas. Para identificar a capacidade anti-inflamatória, eles utilizaram as moléculas diluídas em soro fisiológico, diretamente aplicadas na corrente sanguínea de camundongos com a doença. 

“Identificamos menor sangramento, redução da diarreia e melhor consistência das fezes”, conta o pesquisador responsável, Anderson de Sá-Nunes.

Conforme o professor, novas aplicações do experimento já estão sendo debatidas. “No futuro, pensamos em propor essa molécula como potencial não somente para essa enfermidade, mas para outras doenças inflamatórias e autoimunes”, diz.

Para que isso seja possível, há a necessidade de se chegar a uma formulação farmacêutica viável, e otimizar rotas de administração para, então, solicitar a patente do tratamento. “A etapa seguinte é a realização de ensaios pré-clínicos e clínicos”, explica.

Os trabalhos foram feitos em parceria com a Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) e institutos Butantan e Nacional de Saúde (NIH), dos Estados Unidos. 

Agora, os pesquisadores precisam de financiamento e parcerias com empresas privadas para seguir com os testes em humanos. “Sabemos que temos ainda alguns anos pela frente para consolidar as próximas etapas, e a velocidade delas depende disso”.

*Especial para o HD