A presença do novo coronavírus suspenso no ar pelo período de até quatro horas foi comprovada por pesquisa do Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), vinculado ao Ministério de Ciência e Tecnologia e Inovações e com unidade em Belo Horizonte.

Divulgado na última sexta-feira (12), o estudo liga o alerta para a necessidade de ampliação dos protocolos de combate à transmissão da Covid-19: além do álcool em gel e da máscara, espaços nos quais transitam pessoas precisam ter ventilação natural ou mecânica, para evitar o contágio.
 
HOSPITAIS
O foco da pesquisa, iniciada em maio de 2020 e com coletas de material em dois hospitais e espaços públicos de BH, está na “caminhada” feita pelos aerossóis atmosféricos no ar logo após serem gerados pelo emissor. Os aerossóis são partículas microscópicas invisíveis, com baixo peso e baixa massa. Eles são muito menores do que as gotículas de saliva, que podem ser vistas a olho nu.

“Esses aerossóis são formados até mesmo na fala, grito, canto, respiração e tosse de uma pessoa contaminada, principalmente, se não estiver de máscara, ou pela evaporação de parte dessas gotículas visíveis, que diminuem de tamanho, passam a ser invisíveis e ‘flutuar’ no ar”, explicou Ricardo Gomes Passos, responsável pelo estudo.

De acordo com Ricardo, a pesquisa mostrou que, após gerado, o aerossol contendo o vírus causador da Covid faz um percurso pelo ar e pode ficar suspenso e concentrado na atmosfera por período estimado entre duas e quatro horas.

Conforme o pesquisador, “cada caso é um caso” e a quantidade de tempo em que o vírus fica suspenso depende de diversos fatores, como quantidade de pessoas infectadas no mesmo espaço, tamanho do ambiente e nível de circulação de ar nesse local.

“Imagine uma pessoa que está infectada e não sabe. Ela está em um restaurante, seguindo os protocolos, passando álcool e se sentando com distanciamento. Ela tira a máscara. Mesmo com a distância, estando infectada, vai gerar aerossóis que, dependendo da condição de circulação de ar, podem se acumular”, alertou.