Os dados do Painel de Monitoramento da Secretaria de Estado de Saúde (SES) revelavam, na terça-feira, um aspecto que mostra como a pandemia de Covid-19 está longe de ser controlada e como a situação em termos da estrutura hospitalar ainda é preocupante em Minas. 
 
Em sete das 14 macrorregiões nas quais o Estado é dividido pela pasta, a ocupação de leitos de UTI do Sistema Único de Saúde (SUS), não só pelo coronavírus, mas também por outras patologias, é superior a 90%, o que configura um quadro de colapso. Em cinco delas – Leste, Nordeste, Jequitinhonha, Triângulo Norte e Vale do Aço –, o número chega aos 100%. Ainda que considerando o caráter dinâmico da estatística (há pacientes que podem ter saído da terapia intensiva ainda não registrados), a oferta é mínima, quando não inexistente.
 
“É um cenário extremamente preocupante, muito grave. Essas regiões já vivem um colapso e nós sabemos que, na saúde, tais situações têm um efeito dominó: os pacientes passam a ser encaminhados para os centros maiores, e assim por diante. Já é uma situação que compromete o enfrentamento da pandemia”, destaca o infectologista Estevão Urbano, presidente da Sociedade Mineira de Infectologia e integrante do Comitê de Enfrentamento da Covid-19 em Belo Horizonte. 
 
Para ele, os municípios em situação mais preocupante deveriam apostar imediatamente em um lockdown (suspensão total das atividades), de modo a tentar limitar o aumento do contágio pelo novo coronavírus, o que diminuiria a pressão sobre a respectiva rede hospitalar.
 
Nas regiões Sudeste (que tem Juiz de Fora como polo) e Noroeste (Patos de Minas), os índices verificados são, respectivamente, de 92% e 91,2%. Em termos de internações em UTI provocadas pela Covid-19, a maior percentagem é verificada no Leste de Minas – 34,2% do total. Juntas, as sete microrregiões contemplam 329 municípios (38,6% dos 853 do Estado) e uma população estimada em 6.433.939 habitantes, ou 31,5% do total.
 
CAPITAL
A situação também piorou em Belo Horizonte, com ocupação de leitos estimada em 82%, o que levou a prefeitura a adiar a entrada em vigor da terceira fase das medidas de relaxamento da quarentena, prevista para a última sexta-feira, que incluía bares, restaurantes e lojas de roupas.
 
RESPOSTA
O governador Romeu Zema confirmou, em entrevista na terça-feira, a criação de 79 novos leitos de UTI em 19 municípios. Com implantação prevista para os próximos 45 dias, o objetivo é justamente obter alguma folga na capacidade de atendimento da rede estadual. 
 
Além disso, anunciou a aquisição de 500 respiradores, que serão repassados a cidades com maior demanda, para reforçar a capacidade de enfrentamento intensivo. 
 
Do total, 420 aparelhos foram adquiridos com recursos da mineradora Samarco e suas controladoras (Vale e BHP), após Ação Civil Pública movida contra a empresa, a título de garantia pelos danos causados em 2015, em Mariana. O restante está sendo repassado pelo Ministério da Saúde 
 
*Com Anderson Rocha