O Instituto Nacional de Câncer (Inca) publicou, ontem, um alerta sobre o uso de dispositivos eletrônicos para fumantes – os cigarros eletrônicos – que funcionam com bateria e possuem diferentes formas e mecanismos. O argumento da instituição é o de que o sistema contém inúmeras substâncias tóxicas, na maioria aditivos com sabores de nicotina, droga que causa dependência química.

De acordo com o Inca, os dispositivos eletrônicos também são responsáveis por vários acidentes por explosões das baterias, que provocam queimaduras, perda de partes do corpo e até morte.

O instituto alerta ainda que o líquido contendo nicotina pode provocar princípios de incêndio em residências e doença pulmonar severa, caso inalado, principalmente por crianças.

Estudos científicos demonstram que um jovem que começa a fumar cigarros convencionais tem o risco quadruplicado com o uso dos dispositivos eletrônicos.
 
PROIBIÇÃO
Resolução Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de 2019 proíbe a comercialização, importação e propaganda de quaisquer dispositivos eletrônicos para fumar no Brasil. No entanto, é possível encontrar o produto sendo comercializado.

Em função de todos os riscos detectados para quem faz uso do cigarro eletrônico, o Inca reafirma sua posição à manutenção da medida tomada pela Agência reguladora de saúde.

LESÃO PULMONAR
Um estudo realizado nos Estados Unidos revela que danos nos pulmões de pessoas que sofrem de uma doença respiratória, possivelmente relacionada a cigarros eletrônicos, parecem aqueles provocados pela inalação de substâncias químicas tóxicas.

Os pesquisadores publicaram as descobertas no periódico New England Journal of Medicine. Eles analisaram a biópsia de tecidos pulmonares de 17 pacientes que teriam sofrido lesões nos pulmões devido ao uso de cigarros eletrônicos.

Todos os pacientes apresentavam danos em tecidos pulmonares similares aos causados pela inalação de substâncias tóxicas. Os estudiosos acrescentaram que, por enquanto, não conseguiram determinar uma causa específica.

Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, até o início de outubro tinham sido registrados 1.080 casos de lesões pulmonares associadas a cigarros eletrônicos, e 18 mortes.

Alguns estados americanos proíbem a venda de cigarros eletrônicos com substâncias aromáticas. Medidas em outros países incluem a aprovação em setembro, na Índia, da proibição de venda, importação e produção de cigarros eletrônicos.
*Com Agência Brasil