A doação de leite materno aumentou 24,3% no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado no Hospital Universitário Clemente de Faria (HUCF). A unidade de saúde é uma das referências regionais no trabalho de coleta do alimento para bebês, principalmente prematuros.

O maior volume, em plena pandemia, é uma boa notícia para as mães que não têm como alimentar os filhos recém-nascidos, ou por não terem leite ou por eles estarem em unidades de terapia intensiva.

Os números são celebrados em pleno “Agosto Dourado” – mês mundial do aleitamento materno. A prática continua importante mesmo no cenário da pandemia de Covid-19.

Segundo o Ministério da Saúde, que lançou neste mês a campanha “Todos pela Amamentação: É Proteção para a Vida Inteira”, com o objetivo de sensibilizar a sociedade sobre a importância dessa prática, o aleitamento materno pode reduzir em até 13% as taxas de mortalidade infantil nos primeiros 5 anos da criança.

Para o HUCF, o incremento na doação reflete um sentimento de dever cumprido sobre a conscientização da comunidade, especialmente no período de restrições por causa da Covid.

Em 2020, o posto de coleta de leite humano do HUCF registrou a doação de 474 litros, com atendimento de 203 crianças recém-nascidas e prematuras.

No primeiro semestre daquele ano, foram 239 litros de leite materno coletados. Volume que chegou a 297 litros no mesmo período deste ano, um aumento de 24,36%.
 
BENEFÍCIOS
“O leite materno deve ser o alimento exclusivo do bebê nos primeiros seis meses de vida. Por si só, o aleitamento traz diversos benefícios aos pequenos e suas mamães”, explica a médica cardiopediatra Patrícia Lopes, coordenadora do Bloco Obstétrico e da Maternidade Maria Barbosa do HUCF.

A médica destaca que o aleitamento materno evita diarreia e infecções respiratórias, diminui o risco de alergias, diabetes, colesterol alto e de hipertensão e, ainda, proporciona à criança melhor nutrição, com redução das chances de obesidade infantil.

“O ato de amamentar contribui para o desenvolvimento da cavidade bucal da criança e, ainda, promove o vínculo afetivo entre a mãe e o bebê. Muitos estudos mostram que o bebê que é amamentado acaba apresentando maior nível de escolaridade”, explica a coordenadora.

Mais saúde para a mãe
Os benefícios do aleitamento não se restringem ao bebê. O foco também é a mãe. Ao amamentar, ela diminui o risco de câncer de mama e tem ganhos no pós-parto, já que o útero se contrai e volta ao tamanho normal mais rapidamente.

Aryanne Carvalho de Freitas Dias é mãe do pequeno Benício Josué Carvalho Dias, de 11 meses, e revela um sentimento de gratidão quando o filho prematuro precisou de leite e teve todo o suporte do HUCF.

Hoje, ela retribui da mesma forma: doa o leite excedente para outros bebês que necessitam do alimento. Já são 6,3 litros doados.

“É gratificante poder doar o leite excedente para ajudar outros recém-nascidos ou prematuros. O sentimento que tenho é de gratidão, pois meu bebê precisou do leite materno e isso não faltou. Hoje, tenho o privilégio em ser doadora e faço por amor e gratidão”, revela Aryanne, que doa, em média, 200 ml por dia.

Para as mães que queiram doar ou saber mais informações de como se tornarem doadoras do leite materno, o contato com o posto de leite humano do HUCF pode ser feito pelo telefone (38) 3224-8329. Na maternidade Maria Barbosa, o número é (38) 3224-8314.

*Com Agência Brasil