A rotina estressante do dia a dia pode não apenas comprometer relacionamentos e o rendimento no trabalho, mas também provocar distúrbios oculares graves. Especialistas estimam crescimento de casos de retinopatia serosa central, que pode levar à cegueira. A doença é mais comum entre homens, de 25 a 45 anos, principalmente os impacientes e propensos ao nervosismo. 

O tema será debatido no 1º Simpósio de Retina da Fundação Hilton Rocha, a ser realizado no próximo dia 22, em Belo Horizonte. Tratamentos eficazes para o problema serão apresentados pelo oftalmologista Nelson Chamma Capelanes, um dos palestrantes do evento. “Os pacientes estão cada vez mais ansiosos e desenvolvendo doenças psíquicas”, diz.

Especialista em mácula e coordenador fellowship em retina e vítreo da UPO Oftalmologia, clínica de São Paulo, ele explica que a enfermidade é caracterizada pelo descolamento seroso da retina (camada responsável por captar a imagem). 

“Com a elevação dos índices de cortisol (hormônio produzido pelo organismo com a função de ajudar a controlar o estresse), pessoas com predisposição têm a permeabilização excessiva da coroide”. 

Na prática, a membrana que fica abaixo da retina acumula o líquido dos vasos sanguíneos e, consequentemente, prejudica a visão. “Os principais sintomas são o aparecimento de uma mancha escura na vista e a distorção de linhas nas imagens reproduzidas”, destaca Nelson Chamma. 
 
QUADROS CRÔNICOS
O oftalmologista frisa que, nesse processo, o próprio organismo controla o quadro agudo da doença. Porém, a recorrência pode levar à cegueira. “Em casos crônicos, os neurônios responsáveis pela visão tendem a sofrer lesões irreversíveis”, ressalta. O diagnóstico é feito durante consultas com o equipamento para observação do fundo do olho.
 
ALTERNATIVAS
A medicina ainda não consegue explicar porque o cortisol tem efeito na interface ocular. Porém, estudiosos têm testado tratamentos para controlar o fenômeno e inibir o impacto. 

A Terapia Fotodinâmi-ca com Verteporfirina (PDT, sigla em inglês), segundo os médicos, é a única eficiente. Conforme o coordenador do Setor de Retina da Fundação Hilton Rocha, André Vasconcellos Diniz, o laser invisível, associado à injeção de um medicamento, cria espécie de cicatriz que impede a passagem do líquido. “É possível bloquear a evolução ou até mesmo alcançar a cura”, pontua. 

1º Simpósio de Retina da Fundação Hilton Rocha 
Data: 22 de novembro
Local: Anfiteatro Arquimedes – Avenida João Pinheiro, 164, Centro, em BH
Investimento: R$ 120
INSCRIÇÕES: www.sympla.com.br