Um exame simples, feito a partir de um fragmento de tecido, mas capaz de revelar precocemente a predisposição de alguém ao câncer hepático. É o que irá possibilitar uma descoberta feita por grupo de pesquisadores da UFMG. Eles identificaram uma molécula presente no fígado de pessoas nos três diferentes estágios iniciais da doença. Quarta maior causa de mortes por tumores no mundo, o câncer hepático fica atrás apenas das neoplasias de pulmão, colorretal e estômago, nesta ordem. 

Conduzida em parceria com o Yale Liver Center, que pertence à Universidade de Yale, nos Estados Unidos, a pesquisa abre caminho para ampliar a compreensão do processo de formação do carcinoma hepatocelular (tipo mais comum de câncer no fígado), além de possibilitar condutas terapêuticas de prevenção à doença. 
 
PRÓXIMOS PASSOS
Coordenadora do grupo, professora titular do Departamento de Fisiologia da UFMG, Maria de Fátima Leite diz que os próximos passos da pesquisa incluem buscar parcerias com empresas privadas, inclusive internacionais, interessadas em implementar o teste, feito por meio de uma biópsia, na rotina laboratorial.

“Poderia ser implementado hoje numa rotina clínica. Se o paciente já tiver câncer é possível traçar um prognóstico sobre as chances de recidiva (reaparecimento do tumor). Se não tiver, identificamos a possibilidade de vir a ter. Estamos tentando estabelecer parceria com empresas privadas para desenvolver mais estudos e acompanhar pacientes positivos e negativos. Não é interesse só para o Brasil, mas um ganho para o mundo todo”, diz a pesquisadora.  
 
OPÇÃO VIÁVEL
Segundo ela, o exame é uma alternativa mais saudável e econômica, tendo em vista que o tratamento contra o câncer de fígado é custoso tanto para paciente quanto para o sistema público de saúde.

O resultado da biópsia é obtido em até dois dias com o novo procedimento. “É uma estratégia de atuação”, reforça Maria de Fátima Leite.

O tratamento contra tumores malignos no fígado é conduzido de duas formas: por meio de cirurgia, que pode remover até 75% do órgão, que tem capacidade regenerativa; ou por transplante – cuja fila de espera atual no país reúne 1.211 pessoas, segundo dados mais recentes da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO).

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