O período de chuvas chegou e, com ele, uma situação preocupante: o quadro é favorável para a proliferação do mosquito da dengue. E o risco de surto é altíssimo em vários bairros da cidade, onde a prefeitura constatou grande índice de infestação do Aedes aegypti. Nesses locais, apesar de várias campanhas, lixo e objetos que podem acumular água são facilmente vistos jogados nas ruas, tambores cheios de água e sem tampas estão em quase todas as casas. Uma verdadeira festa para o mosquitinho que já fez várias vítimas no município.

O Village do Lago é uma bomba prestes a explodir para doenças causadas pelo Aedes, como dengue, chikungunya e zika. O bairro apresenta o índice de infestação de 22,7% – o ideal é abaixo de 1%. Isso quer dizer que há larvas do mosquito em diversos pontos, prontos a se transformarem no inseto. A título de comparação, em toda a cidade, o Levantamento do Índice Rápido (LirAa), medido em outubro, ficou em 3,5% – apontado para estado de alerta.

A medida anterior havia ficado em 8%, o que indicava risco de epidemia. A queda foi significativa, mas o risco ainda é grande em pelo menos 19 comunidades com índice superior a 8%.

De acordo com o levantamento feito pelo município, 71% dos focos foram encontrados em caixas d’água e tambores, e 80% encontrados nos domicílios.

Na casa de Márcia Aparecida, de 19 anos, no bairro Village do Lago, o fato de três gerações da família terem sofrido com a dengue não serviu para que a família tomasse os cuidados devidos para evitar nova contaminação.

O avô, que residia em Capitão Enéas, contraiu a doença durante visita a Montes Claros e veio a óbito, em 2016. A mãe, Maria da Paixão, teve a doença três vezes, sendo a última, hemorrágica. Márcia, que tem um filho de 2 anos, admite que servidores da Superintendência de Campanhas de Saúde Pública (Sucam) informaram que a doença foi contraída pelo lixo e acúmulo de água no local. E no quintal havia um tambor cheio de água e sem tampa.
 
CRIADOUROS
Segundo Flamarion Cardoso Gualberto, coordenador de Saneamento e Controle do Centro de Controle de Zoonoses, os tambores e reservatórios em nível do solo são os criadouros predominantes do Aedes.

“Nos bairros com índices mais altos, estamos intensificando as ações de combate”, afirma o coordenador. Segundo ele, o município possui uma verba anual de R$ 10 milhões para logística, vistorias, aplicação de produtos e educação em saúde.

Ele ressalta que, com a chegada da chuva, o risco de infestação aumenta e os cuidados já conhecidos devem ser dobrados, lembrando ser período de maior reprodução do mosquito. “É importante que as pessoas não façam o descarte de copos plásticos, pneus, tambores, ou de qualquer material em lotes vagos ou exposto”, exemplifica.

Segundo a Vigilância Epidemiológica, em 2017 foram constatados 207 casos da doença na cidade. Já em 2018, o número chegou a 858, em levantamento feito até agosto. Foram constatados cinco casos de dengue hemorrágica, sem óbitos. Ainda há 489 casos sendo investigados.
 
LIXO
No bairro Independência, é possível visualizar uma grande quantidade de lixo nos arredores da avenida Independência, na verdade focos de infestação que trazem perigo para os habitantes. A moradora Maria de Jesus, por exemplo, lamenta a atitude de quem joga lixo em lotes vagos. “As pessoas não deveriam fazer isso, e olha que alguns vizinhos até juntavam e queimavam os entulhos para evitar, mas depois ninguém mais manifestou, e agora só jogam lixo”, relata Maria.

“Na minha casa eu cuido de tudo para que não tenha focos, mas o pessoal joga e além de gerar um risco de infestação de doenças, fica um cheiro horrível nas casas dos moradores vizinhos”, conta Maria de Jesus.

O jornal O NORTE chegou à avenida Independência no instante em que a moradora Heloísa da Silva, de 55 anos, jogava lixo às margens da via de acesso. Disse que faz isso diariamente, embora, em sua residência, costuma limpar todo o quintal para evitar a proliferação do mosquito.

“Eu cuido direitinho na minha casa, o que jogo aqui na avenida é só o lixo do meu terreiro mesmo”, diz, mostrando que tem em casa o tambor para uso doméstico, que mantém bem tampado.
* Sob supervisão da editora Janaína Fonseca

SAIBA MAIS
Bairros com situação mais crítica de infestação (%)

Village do Lago    22,7
Tancredo Neves    13,6
Bela Paisagem    13,3
Dona Gregória    13,3
JK    12,5
Jardim Panorama    12,5
Jardim São Luís    12,3
Vila Antônio Narciso    12,0
Nova Morada    11,1
Conjunto Santos Dummont    10,5
Ibituruna    10,3
Santo Antônio    10,2
Renascença    10,2
Santa Cecília    10,0
Monte Alegre    9,3
Santa Lúcia    9,0
Vila Anália    9,0
Todos os Santos    8,8
Roxo Verde    8,3
Fonte: CCZ
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