Uma semana após o início da campanha de vacinação contra a gripe em Montes Claros, apenas 7% do público previsto para receber a dose procurou os postos de saúde. Além de crianças de 6 meses a menores de 6 anos, gestantes e mulheres até 45 dias após o parto eram o foco nesta fase inicial da campanha por apresentarem o sistema imunológico mais frágil. Além disso, esse público ficou abaixo da meta de vacinação no ano passado.

O público com maior alcance nessa primeira etapa da vacinação foi de mulheres que tiveram filhos recentemente, chegando a 12%. Já o de menor cobertura foi o de crianças, com apenas 7% de imunizados. Índice preocupante, na avaliação de especialistas, que consideram a vacina a forma mais eficaz de se evitar casos mais graves da gripe, como a H1N1, que já provocou uma morte em Minas neste ano.

De acordo com o professor do Departamento de Microbiologia da UFMG, Flávio Fonseca, estudos comprovaram que crianças e gestantes são, de fato, mais suscetíveis aos vírus. “As gestantes precisam da vacinação pois, durante a gravidez, ficam com o estado imunológico mais enfraquecido. Já as crianças, que ainda não têm o sistema desenvolvido, precisam fortalecer o conjunto de células”, explica o docente.

De 1º de janeiro até agora, houve uma morte por H1N1 e 40 por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no Estado, situações que poderiam ter sido evitadas com a vacinação.

Os mitos em torno da proteção são alguns dos problemas a serem combatidos pelas autoridades. A infectologista Claudia Biscotto associou a baixa procura ao início antecipado da campanha, além de ser liberado, neste primeiro momento, apenas a grupos específicos. Mas alertou que informações mentirosas espalhadas na internet também têm atrapalhado a busca pela vacinação.

“As fake news desconsideram a importância da vacina, insinuando que levaria a problemas de saúde, e isso atrapalha muito a procura em todo o país”, disse. Ela acredita que a procura deve aumentar assim que a dose for liberada para todos os públicos envolvidos, o que acontece a partir de segunda-feira.

Cláudia fez questão ainda de destacar a importância da imunização. “A vacinação é incontestável. Não é 100%, mas é muito importante. A gripe pode matar e todos devem se vacinar para se proteger”, completou.

No Posto de Saúde do São Judas, Márcia Soares aguardava a vez de vacinar a neta. “Precisamos vacinar para evitar. Na internet falam que é perigoso, mas eu não acho. Prefiro me prevenir”, disse, carregando Ana Lívia, de 1 ano e 9 meses.

Felipe Crusoé levou as filhas para se vacinarem no mesmo local. Aproveitou o momento para se proteger contra a febre amarela. “Para criança é muito importante, já que ela não é tão forte quanto o adulto”, disse.

Proteção de crianças e gestantes não bate meta
Nos últimos dois anos, a cobertura vacinal em crianças e gestantes cresceu, mas se manteve abaixo da meta preconizada pelo Ministério da Saúde, que é de 90%.

Segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES), em 2017, 74,9% das crianças receberam a dose. No ano seguinte, o número saltou para 83,53%.

Em meio às mulheres grávidas, o índice de cobertura vacinal subiu de 71,7%, em 2017, para 85,12% em 2018, mas ainda abaixo da meta.

Ainda conforme a pasta, que criou a campanha de prevenção com o tema “Gripe é doença séria”, até a última terça-feira, 456 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) foram notificados em Minas.

“Buscamos a vacinação antes mesmo do aparecimento do surto. Por causa do frio, as pessoas ficam mais juntas e fecham as janelas. A imunização reduz consideravelmente o número de gripes graves”, diz o secretário de Saúde, Carlos Eduardo Amaral Pereira da Silva.

Colaborou Lucas Eduardo Soares, do Hoje em Dia