CIDADE DO PANAMÁ – Apenas três a cada dez mineiros entre 20 e 29 anos tomaram a segunda dose da tríplice viral, que protege contra sarampo, rubéola e caxumba. Os dados são da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), referentes à cobertura acumulada de 1997 a março deste ano, e evidenciam a vulnerabilidade dos adultos a essas doenças no Estado.

Hoje, além da tríplice viral, pessoas de 20 a 59 anos devem se vacinar contra hepatite B, febre amarela, dupla adulto (difteria e tétano) e pneumocócica 23 valente, que previne contra pneumonia, meningite e outras enfermidades causadas pela mesma bactéria.

A realidade, no entanto, é outra. No Brasil, conforme estimativas do Ministério da Saúde, a única dose voltada para esse público que passa dos 50% de cobertura acumulada é a da febre amarela.

O tema foi amplamente debatido no Seminário Internacional sobre Imunização, realizado recentemente pela biofarmacêutica Pfizer, no Panamá. A baixa proteção entre adultos também é um problema na maioria dos países da América Latina, da Europa e nos Estados Unidos.

Vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim) e palestrante do encontro, a pediatra Isabella Ballalai afirmou que o alerta já foi acionado. Ela ressaltou que muitos dos que têm entre 18 e 50 anos nunca tiveram caxumba ou sarampo, mas também não se vacinaram contra as doenças.

Esse grupo é alvo potencial caso haja novos surtos dessas enfermidades, avalia a especialista. “Hoje, somente os pediatras falam sobre vacinas, o que explica porque a cobertura entre crianças é maior”, afirmou. “Porém, adultos só se imunizam se o médico indicar. Por isso, a importância da orientação de cardiologistas e pneumologistas, por exemplo”, destacou.

A inexistência de uma meta anual de vacinação para os adultos, ao contrário do que acontece com o público infantil, é um dificultador. De acordo com o Ministério da Saúde, brasileiros de 20 a 59 anos “podem se vacinar em qualquer momento da faixa etária para a qual a vacina é ofertada no SUS, não havendo, portanto, um denominador específico para o cálculo do indicador”.
 
MITOS
A difusão de mentiras sobre as vacinas também é um dos principais desafios. Os mitos criados podem contribuir para que, a cada dia, mais pessoas passem a duvidar dos benefícios da imunização. A afirmação foi reforçada pela infectologista pediátrica Maria Luisa Avila Aguero, que foi ministra da Saúde da Costa Rica, de 2006 a 2011.

A médica alertou para a velocidade com que as fake news se difundem com os meios de comunicação digitais e a dificuldade para combatê-las. “Até hoje o mito de que as doses causam autismo, criado em 1998, circula pelo mundo. Apesar de tudo já ter sido esclarecido, ainda há pessoas que acreditam”.
*O repórter viajou a convite da Pfizer