Seca faz Minas se tornar agreste

Cidades da região Norte do Estado lutam para manter o abastecimento de água na pior seca dos últimos 60 anos

Tatiana Lagôa
Hoje em Dia - Belo Horizonte
Publicado em 07/06/2017 às 00:19.Atualizado em 15/11/2021 às 08:57.
 (Ascom Prefeitura Pirapora)
(Ascom Prefeitura Pirapora)

Com o solo e os rios secos não tem plantação, alimento e muito menos emprego. Os postos de saúde lotam de pacientes desnutridos e com doenças provocadas pela baixa imunidade, fruto da fome. Essa pode não ser a realidade da maioria dos moradores do Sudeste. Mas, para os que vivem em 94 cidades mineiras em situação de emergência por conta da seca o quadro é bem parecido.

O Norte de Minas é a região mais castigada pela crise hídrica. Dos 16 municípios do Estado com graves problemas de abastecimento, 11 estão na região.
Um exemplo é a cidade de Mato Verde. Dos 12,8 mil habitantes, pelo menos um terço vive do agronegócio – ou, pelo menos, vivia quando tinha água. “Não tem como plantar. Milhares de moradores caminham para ficar completamente sem renda e ainda nem estamos no período mais crítico de seca, que é julho”, afirma o prefeito da cidade, Oscar Lisandro Teixeira.

A cidade é abastecida por caminhões-pipa e alimentos são distribuídos para os mais carentes. Os seis postos de saúde tiveram aumento considerável de pacientes. “Com a falta de alimentação, as pessoas ficaram mais vulneráveis às doenças corriqueiras”, conta.
 
Dificuldades
Em Varzelândia, metade dos 20 mil habitantes vivem exclusivamente da agricultura e pecuária e estão em grave dificuldade financeira. “Essas pessoas estão tentando emprego na cidade, mas não temos vagas”, afirma a prefeita Valquíria Cardoso.

Nesta semana, duas escolas públicas do município precisaram de abastecimento com carros-pipa para não fechar as portas. Os problemas com a falta de água refletem uma das maiores crises hídricas vivenciadas pelo Estado. Diretor de Operação Metropolitana da Copasa, Rômulo Perilli diz que a média histórica de chuvas nas últimas seis décadas em Minas é de 1.535 milímetros por ano. De janeiro até a primeira quinzena de março, choveu 410 milímetros. “Tem 60 anos que não temos um índice tão baixo até março”, afirma.

Rodízios foram antecipados
Em função do baixo nível dos rios, até mesmo os racionamentos e rodízios foram antecipados no Estado. A estratégia de economia do recurso já foi colocada em prática em 16 cidades mineiras. “Estamos saindo do período chuvoso com uma situação próxima ao que deveria estar no mês de julho. É muito grave e preocupante”, observa Rômulo Perilli. O que agrava a seca na região é a reincidência. São pelo menos cinco anos de chuva abaixo da média. Sem que os reservatórios se recuperem entre um período seco e outro, a situação só piora.

Ações no Congresso tentam amenizar o quadro. Uma delas é a aprovação da renegociação, junto aos bancos, das operações de crédito rural de custeio e investimento. A medida, válida até 30 de setembro, é para os agricultores dos 168 municípios da área da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).“Minas é um grande produtor de alimentos, mas depende da água para progredir. Precisamos de projetos de garantam essa água de qualidade para a população”, afirma a deputada federal Raquel Muniz (PSD), autora da recém-aprovada Comissão Externa, na Câmara dos Deputados. Formada na maior parte por deputados mineiros, a comissão irá investigar os problemas hídricos em Minas e apresentar propostas para fazer frente aos problemas provenientes da seca.

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