Vitor Costa
Estagiário
31 de março é dia de o Brasil se lembrar do Golpe Militar, o regime que durou de 1964 a 1985 e que abalou a democracia do país. O golpe de Estado, na verdade, ocorreu no dia 1º de abril, data que foi omitida pelos militares por ser o “dia da mentira”. O episódio encerrou o governo do presidente João Goulart, eleito democraticamente vice-presidente de Jânio Quadros pela União Democrática Nacional (UDN) e pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e que assumiu o governo após a renúncia do titular.
Segundo o professor de sociologia Euler Neto uma justificativa apresentada à opinião pública pelo novo regime, que teve na censura, na perseguição aos “subversivos” e no assassinato de adversários até por meio de torturas, foi de que não houve golpe, mas uma “revolução” para restabelecer a hierarquia militar e por fim às doutrinas comunistas no Brasil, que seriam incentivadas por Goulart.
- Os militares e empresários da época conspiravam a intervenção, a classe média brasileira saia às ruas para pedir intervenção militar. Depois esta mesma classe média viu seus filhos indo à luta contra o regime que defendeu. Um dos argumentos era de que o Brasil iria virar uma União Soviética ou uma Cuba, mas isso nunca iria acontecer porque nesses países a maior parte da população apoiava a ideia do socialismo e aqui era o contrario: o povo brasileiro estava passando por uma forte transformação econômica e a realidade era diferente. A sociedade acreditava que os militares iriam colocar o país nos eixos – explica o professor.
VENDENDO ILUSÕES
Carmina Márcia de Jesus, professora de Historia,especialista em política,reitera que o regime imposto não era oficialmente conhecido como uma ditadura militar, mas como resultado de uma revolução.
- A promessa para ganhar total apoio da população era de que a normalidade democrática seria preservada e restabelecida, porém, aos poucos, a ditadura foi endurecendo e reprimindo todo aquele que fosse contra o regime. O apoio da sociedade se deve também ao forte crescimento econômico que ocorreu em seguida. Também carece ser lembrada a construção de grandes obras de infraestrutura, que causaram um endividamento do país e isso foi o que provocou o inicio de um lento processo de abertura democrática e adequação social no Brasil - esclarece Carmina.
SEM VOLTA
O aposentado Jorge Gonçalves dos Santos Júnior iniciou serviço no Exercito ao final do período de regime militar e diz desacreditar que os militares voltem a se instalar no Palácio do Planalto, uma vez que o Exército brasileiro está mais engajado atualmente em questões humanitárias.
- Hoje o cenário é outro, os militares funcionam como uma entidade pacificadora e têm em seu lema suas principais características. Eles trazem ao cidadão, não só brasileiro, mas de varias nações, a segurançae também o seu comprometimento e a sua generosidade para com gente de bem. Hoje, alguns amigos até brincam sobre uma possível volta dos militares ao poder. Eu acho graça e falo que a minha farda está bem guardada. Não acredito que isso possa acontecer – ressalta Jorge.
Hoje o dia 31 de agosto passa à margem da atenção dos brasileiros, ao contrário do que ocorria nos tempos da ditadura quando as cidades se enfeitavam para incontáveis desfiles cívico-militares.