Governo decreta entrega, mas município foge da responsabilidade

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Jornal O Norte
Publicado em 25/04/2017 às 07:51.Atualizado em 15/11/2021 às 14:59.









Vereador Valcir: município não cumpre a lei

 

Márcia Vieira
Repórter

Na semana que passou o Diário Oficial da União publicou portaria do ministério da Saúde, que estende aos deficientes o direito de receber fraldas geriátricas no âmbito da “Farmácia Popular”, programa do Governo Federal que conta com a parceria dos municípios. Anteriormente o benefício vigorava apenas para idosos a partir de 60 anos.

Entre as muitas enfermidades cobertas pelo programa, estão: incontinência urinária, hidrocefalia, paralisia cerebral, vítimas de AVC e portadores de doenças congênitas ou degenerativas.

O vereador Valcir Soares, presidente de honra da Ademoc – Associação dos Deficientes de Montes Claros e com larga atuação na defesa dos deficientes, comemora a medida, mas ao mesmo tempo revela seu descontentamento com a ausência de responsabilidade do município.

- Essa publicação no Diário é um avanço para as pessoas que têm a necessidade. Mas desde a saída do prefeito Ruy Muniz o município não entrega uma fralda sequer. Apesar da obrigatoriedade, a lei não está sendo cumprida.

SEM PREVISÃO
Um pacote de fraldas geriátricas custa em torno de dezesseis reais. Nas farmácias credenciadas na Rede Popular, este valor cai para sete reais. A partir da publicação, esta passou a ser a alternativa encontrada por S.R., para resolver o problema do filho deficiente. Ele adquiriu o direito de ser contemplado com as fraldas através do município, mas desde o início de 2017, não conseguiu mais receber.

- Pela prefeitura a gente está passando vergonha. De novo fui à secretaria de Saúde. Vou lá com a minha esposa toda semana e nada, nada, nada - lamenta S., que agora pretende ao menos adquirir o produto por um preço menor.

Valcir foi procurado por S. R., que solicitou sua interferência. O vereador relata que em conversa com a secretária de Saúde do município, ela declarou que seria feito um pregão para solucionar o problema.

- Ou seja, com o pregão vai demorar mais tempo ainda. Não existe uma previsão. Enquanto isso, milhares de pessoas são penalizadas - diz Valcir.

FARMACIAS MUNICIPAIS FECHADAS
O vereador Idelfonso, que também atua na área de saúde, ergueu a voz na Câmara em favor das centenas de pessoas que diariamente o procuram para pedir socorro. O vereador denunciou que 50% das farmácias da Rede Municipal foram fechadas.

- É um absurdo essa administração ter fechado as farmácias. As que ficaram abertas estão funcionando apenas na metade do dia. Quando o paciente consulta, não consegue pegar a medicação. Não vamos aceitar este comportamento do prefeito.

Além da falta de medicamentos, Idelfonso destaca que o cidadão montes-clarense não consegue fazer exames, tampouco cirurgias, que deveriam ser cobertas pelo município. O vereador diz que pacientes estão desde o final de dezembro tentando marcar cirurgias e não conseguem.

-Tem paciente que está com cirurgia para fazer e não consegue marcar. Tudo está difícil. Principalmente a parte de exames. Nos anos anteriores se conseguia marcar uma tomografia com no máximo 15 dias. Hoje, só se consegue com um ano, dois anos. A doença não espera. Quando o médico pede um exame é porque o paciente realmente está precisando - diz.

Idelfonso complementa que com a gestão plena da saúde a cargo do Estado, os pacientes não conseguem agendar os exames.

- O prefeito está se recusando a cuidar da saúde de Montes Claros que está gravemente doente. Vamos continuar cobrando dele essa responsabilidade.

Procurada para falar sobre o assunto, a assessoria de comunicação do município não deu retorno até o fechamento desta edição.

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