Falta abrigo para moradores de rua

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Jornal O Norte
Publicado em 11/05/2017 às 09:06.Atualizado em 15/11/2021 às 15:01.


ABANDONO – Morador dorme em calçada de avenida movimentada



Márcia Vieira
Repórter

A cena tem se repetido: na tentativa de se proteger das baixas temperaturas dos fins de tarde, moradores de rua brigam por espaço debaixo de marquises de lojas ou de residências. Quando não conseguem um “cantinho” se amontoam em calçadas de vias movimentadas. Para se alimentar, dependem da generosidade dos “vizinhos”.

Segundo dados da Pastoral dos Moradores de Rua, há, atualmente, cerca de 400 pessoas vivendo nas ruas de Montes Claros.

A.R que reside próximo ao residencial Castanheiras, habitualmente oferta café com pão aos moradores. E reclama da ausência de profissionais para tratar o problema, que cresce a cada dia.

- Corta o nosso coração presenciar este tipo de situação. Eu e outros vizinhos sempre ajudamos, mas alguém tem que se responsabilizar por isso, pois a situação está complicada. E sempre existe o risco pois estamos lidando com pessoas desconhecidas - pondera.

Procurada para falar sobre as medidas adotadas pelo município para solucionar a questão, a prefeitura não respondeu aos questionamentos. A reportagem tentou contato também com o secretaria de Desenvolvimento Social, sem sucesso.

Simone Torres, diretora de Assistência da Secretaria na gestão passada, informou que tanto a Casa de Passagem quanto o Centro POP ofereciam apoio psicológico e humano aos moradores de rua.

- Nosso objetivo era sensibilizar os usuários e resgatar vínculos familiares para tirá-los das ruas. A proposta do trabalho em rede é construir um projeto de vida para estas pessoas - diz.

Além de banho e alimentação, eram disponibilizados cursos profissionalizantes e oficinas operativas e terapêuticas aos usuários do serviço.

O município teria que oferecer o serviço, já que está pactuado com o Governo Federal. Porém, na prática, não acontece.


Vereador cobra solução para o problema social

O vereador Sóter Magnos revelou seu descontentamento com o quadro atual da cidade no que se refere à vulnerabilidade social.

Para ele, o impacto social ultrapassa o limite do que seria “aceitável”.

- Estou abismado com a quantidade de gente que habita as ruas. Na região das Castanheiras, onde tinha apenas uma pessoa vivendo debaixo da ponte, agora são 12. Não dá mais pra aceitar esta situação - diz o vereador.

Ele aponta ainda que certas regiões de Montes Claros parecem viver no isolamento.

- Nem parece que estamos numa cidade com 400 mil habitantes. A situação de vulnerabilidade é muito grande - desabafa.

Na comunidade de Palmital, próxima a Montes Claros, houve um incêndio e algumas famílias perderam as suas moradias. Com a deficiência no serviço de assistência social, os desabrigados são amparados por moradores de comunidades vizinhas.

Raimunda Souza moradora do São Geraldo II veio a Montes Claros comprar cestas básicas para as famílias.

- Sou aposentada e não tenho muito, mas eles estão em situação muito pior - diz comovida.

Sóter Magno pede ao município que seja responsável em sua atuação.

- A prefeitura e a secretaria competente tem que colocar em funcionamento as casas de apoio. É muito triste o que está acontecendo com todas estas pessoas. Queremos saber do secretário o que ele vai fazer. O problema está se agravando - finalizou o vereador.

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