Márcia Vieira
Repórter
A Câmara Municipal de Montes Claros recebeu em sua reunião desta semana, intérpretes da Língua Brasileira de Sinais - Libras. As professoras ocuparam o plenário com faixas que reivindicavam do prefeito, o pagamento dos seus salários.
Ivanete Pereira de Souza trabalhou na rede municipal de ensino até o mês de dezembro de 2016. Como todos os servidores, ela esperou pelos seus vencimentos durante todo o mês de janeiro. Quatro meses depois, ainda não recebeu. Ela e suas 19 colegas de trabalho que atendiam o município nessa função estão passando necessidade.
- Estamos com cartões e contas atrasadas. Temos família, temos filhos. Não é justo que isso aconteça.
A professora citou um fato acontecido recentemente do qual foi testemunha.
- Primeiro, o prefeito aparece em um vídeo horroroso nas redes sociais nos mandando ir para a porta da casa do ex-prefeito Ruy Muniz e dizendo que não tem nenhuma responsabilidade conosco. Depois, por pressão, foi obrigado a começar a pagar lentamente os ex-servidores. Agora, diz que não vai pagar a partir de cinco mil porque “seríamos parentes do povo que estava na prefeitura”. Isso é uma afronta. Não somos parentes e mesmo se fôssemos ele teria que nos pagar. Porque os parentes e assessores dele que estão aí agora, estão recebendo em dia? – indagou.
SEM DINHEIRO E SEM MEDO
As faixas levadas pelas professoras continham dizeres como: “falamos com as mãos. Queremos nosso salário e rescisão”. Ivanete revela que foi recontratada em março, mas que isso não excluiu o problema do pagamento.
- Pegamos o contrato agora, mas não temos dinheiro para gasolina e nem para alimentação. Estamos com déficit e queremos receber pelo que trabalhamos.
Ivanete e as colegas que estiveram na Câmara mandaram um recado ao prefeito.
- Não temos medo de mostrar a cara, não temos medo de retaliação, não estamos aqui por debaixo dos panos e conhecemos nossos direitos, por isso estamos reivindicando o que é justo.
Desde o ano de 2005, existe uma Lei Federal (LEI Nº 10.436) que inclui o profissional especialista em Libras nas escolas. Sem ele, o ensino dos surdos-mudos fica prejudicado, como revelou Rosana Sá, instrutora de Libras que integrava o quadro da secretaria municipal de Educação.
- São 23 surdos nas escolas. É necessário um grupo maior para fazer as visitas regulamentares. A prefeitura não recolocou os profissionais. É preciso respeitar o ensino para o surdo – declara.
Sobre o pagamento que não recebeu, a ex-servidora é enfática.
- Passei num concurso agora e graças a Deus não preciso voltar a trabalhar na prefeitura, mas eu quero o meu salário e rescisão. Eu trabalhei, porque não vou receber? Tenho esse direito.
Entramos em contato com a assessoria de comunicação da prefeitura, que até o fechamento desta edição não se manifestou sobre o assunto.