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Sábado,30 de Agosto

100 dias e sem apoio

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Jornal O Norte
Publicado em 18/04/2017 às 08:16.Atualizado em 15/11/2021 às 14:59.



Márcia Vieira
Repórter

A semana que passou foi de alegria e saudosismo para os atletas de Montes Claros, e especialmente para os da categoria paralímpica. No Automóvel Clube da cidade aconteceu o evento esportivo “Troféu Bola Cheia”, edição 2017, que premia os melhores do esporte em diversas modalidades. A categoria paralímpica este ano contou com 12 homenageados. Se por um lado o evento reconhece o esforço dos para-atletas, por outro, traz à tona  uma triste realidade vivida por eles: a falta de apoio do município.

ATLETAS EM RISCO
Passados 100 dias de governo, e depois de realizar a edição dos Jogos Estudantis (JEMG) que entrou para a história como um desastre anunciado, pela falta de investimento e organização, a secretaria municipal de Esportes ainda não sinalizou com qualquer ajuda para permitir a realização da paralimpíada local, tradicionalmente promovida pela Associação de Deficientes de Montes Claros- Ademoc.


- Temos vários atletas destacados até no exterior. Nesta edição, foram vários paralímpicos premiados. Mas todo esse esforço e dedicação podem cair por terra, se o município continuar fazendo “vista-grossa” para os nossos atletas - disse o vereador Valcir Soares, presidente de honra da associação.
Os jogos paralímpicos locais foram criados em 2004 pela Ademoc e com apoio do vereador. De lá para cá, vêm sendo realizados anualmente com apoio da administração. Para o vereador, é preciso que o poder público se junte às escolas e instituições no fomento do esporte paralímpico.

- No governo passado tivemos apoio da Coordenadoria de Esporte Adaptado, mas agora esse setor foi deixado de lado na secretaria de Esportes e estamos abandonados.

APOIO
Valcir Soares conta que o esporte paralímpico tem sobrevivido graças à sociedade civil.

- As academias investem na pessoa com deficiência e acreditam no potencial dos atletas, por isso ainda temos uma chance.

É o caso de Farlley Milioni, lutador de JiuJitsu, que foi um dos homenageados no Troféu Bola Cheia. Aos 14 anos, Farlley teve um câncer ósseo e o resultado foi amputação de uma das pernas. No esporte, ele encontrou qualidade de vida e se redescobriu. Agora aos 28 anos, e lutador há cinco, foi convidado para participar do “Word Pro de Parajiu-jitsu”, em Abu Dhabi (Emirados Árabes), mas não conseguiu viajar para competir. Ele aponta como causa, a falta de investimento no esporte.

- Este é o maior campeonato de Jiu-Jitsu do mundo. Não pude participar porque não encontrei apoio - lamenta.

AUSÊNCIA DO MUNICÍPIO
A viagem de Farlley custaria em torno de 7 mil reais e o prêmio para o vencedor seria de mil dólares (cerca de 3 mil e 500 reais). Com auxílio apenas da Ademoc e do professor, Eliechinton Leopoldo, Milioni diz que o município deveria prestar assistência.

- Acho que o município deveria tentar viabilizar um patrocínio ou ação com os atletas, para que eles possam pagar os custos de viagem da competição. Isso não é bom só para quem compete, mas também para a cidade que ganha visibilidade – sugere.

Farlley pretende agora disputar outras competições como o brasileiro e mundial de jiu-jitsu.

- Vou disputar novamente essas competições e tentar me destacar pra ir a Abu Dhabi no próximo ano. Espero que até lá, o poder público tome consciência - pontua.

- A secretaria municipal desenvolvia projetos e valorizava ações no município com a prática esportiva adaptada para deficientes e também para a terceira idade. Com o setor parado, não existe ninguém para atender e direcionar ações a este público específico - reclama Wesley Mendonça, professor de Educação Física e voluntário da Ademoc no esporte paralímpico.

PARCERIA
Ele conta que tudo era feito por meio de parcerias e utilizando a estrutura física do próprio município. Mão de obra, medalhas e troféus também eram ofertadas pela secretaria.

- Incentivávamos as escolas oferecendo material e realizando minitorneios como as paralimpíadas e atividades de lazer e recreação. O evento era um sucesso e a adesão era satisfatória. A cobrança das associações é grande e se não pudermos fazer algo por elas será um prejuízo para o esporte. Se o município não nos dá apoio, não temos como desenvolver - diz Wesley.

A secretaria municipal de Esportes, segundo Wesley é “o órgão direto que deveria facilitar a execução do evento que a Ademoc promove e organiza”.

- Portanto, o seu apoio é mais que necessário.

 APOIO PARLAMENTAR
Valcir Soares destaca que tem buscado também a adesão de parlamentares.

- O deputado Arlen Santiago sempre nos ajuda com material através de emendas. Nossa meta agora é incentivar as escolas especiais e fornecer este material para que eles já comecem a treinar.

A deputada federal Raquel Muniz, madrinha da Ademoc, é outra parceira importante. A parlamentar levou a entidade até Brasília, onde foram apresentadas ao governo as suas ações em Montes Claros e região.

- Entre 200 instituições sem fins lucrativos de todo o Brasil, fomos premiados como uma das cinco mais relevantes e entre as cinco, ficamos em primeiro lugar, graças à deputada que reconheceu nosso trabalho e o apresentou em Brasília- disse o vereador Valcir.

O reconhecimento abriu portas e possibilitou a Ademoc trabalhar de maneira a facilitar a inclusão de mais pessoas em toda região.

O vereador afirma que em razão da ausência de compromisso do município, estão sendo buscadas outras parcerias.

- Tivemos contato esta semana com representante do Estado e vamos fazer de tudo para viabilizar o evento. Montes Claros não pode parar. Os atletas paralímpicos precisam da nossa atenção - finalizou.

A assessoria de comunicação da prefeitura de Montes Claros foi procurada para falar sobre o assunto, mas até o fechamento desta edição não houve retorno.



Wesley Mendonça, voluntário: “se o município não nos dá apoio, não temos como desenvolver”

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