A campanha eleitoral para o primeiro turno das eleições municipais de 2020 chega ao último dia. Neste domingo (15), será a hora de os 279.274 eleitores montes-clarenses registrarem sua escolha nas urnas. Os oito candidatos à prefeitura e os mais de 500 concorrentes a uma das 23 vagas da Câmara de Vereadores tiveram mais de 30 dias para se apresentarem e conquistarem a preferência do eleitor.

Os perfis de quem disputa o comando da cidade são os mais variados: professor, empresário, socorrista, médico, aposentado. Mas todos com um objetivo em comum – ganhar do eleitor o voto de confiança para administrar Montes Claros pelos próximos quatro anos. E, para isso, tiveram que se adaptar ao “novo normal” imposto pela pandemia de Covid-19.

Enquanto o atual prefeito, Humberto Souto (Cidadania), isolado em casa em função do novo coronavírus, apostou nas redes sociais e programas de rádio e TV, os demais foram às ruas para o tão valorizado corpo a corpo. Participaram ainda de debate, promovido pela Arquidiocese, que também não contou com a presença de Souto e do candidato do PV, Émerson Guimarães.

As ações nas ruas, no entanto, tiveram que ser cercadas de cuidados, como uso de máscaras e de álcool em gel. Já o distanciamento, nem sempre pôde ser mantido, pois alguns abraços e apertos de mão não deixaram de acontecer.

Para o Legislativo, concorrem pessoas de diversas profissões, como ambulantes, garis, consultores, donas de casa, comerciantes, professores, médicos, dentistas, enfermeiros, advogados, jornalistas, locutores, empresários e outros. 

Há mais mulheres na disputa do que no pleito de 2016 e duas candidatas que já conquistaram o direito de concorrer com o nome social, uma mudança significativa que abriu espaço para as chamadas minorias.
 
IGUALDADE 
Para o analista político Aldeci Xavier, a campanha deste ano trouxe mudanças significativas e colocou os candidatos, de alguma maneira, em pé de igualdade a partir do momento em que eles tiveram que se aglutinar em uma única agremiação.

“No caso específico dos vereadores, eles acabaram mudando de partido porque entenderam que teriam a chance de atingir o quociente eleitoral. Essas mudanças enfraqueceram quem já está no poder, porque há uma disputa direta e todos estão correndo o risco”, analisa Aldeci, acrescentando que, por outro lado, isso favoreceu os chamados partidos pequenos, que conseguiram montar a chapa de forma a ter pelo menos um representante na Câmara Municipal.

Aldeci Xavier pontua que as previsões feitas são hipóteses, que podem não se confirmar porque toda eleição reserva surpresas. Em função do quadro eleitoral, ele acredita que cinco partidos consigam fazer dois vereadores, o restante, de 10 a 11 partidos, deve conseguir eleger um vereador, somando 21 vagas preenchidas. E teria a vaga de sobra. 

“Outro fato importante é que o candidato, para ser eleito, tem que ter 10% do quociente eleitoral. Se for em torno de 7.500 a 8 mil votos, teria que ter 750 ou 800 votos. Há partidos que não conseguiram fazer uma chapa forte. Não bastasse isso, a maioria dos partidos só tem o que chamamos de cabeça, aqueles cinco ou seis com previsão de votação expressiva”, explica.