Pessoas com deficiências que vivem em Montes Claros não terão o que comemorar no próximo 21 de setembro, Dia Nacional de Luta da Pessoa Com Deficiência, celebrado no país desde 1992. 

No começo deste ano, O NORTE percorreu prédios públicos da cidade na companhia do deficiente visual Aparecido Rodrigues, para verificar condições de acesso. Um dos prédios apontados por ele como de difícil acesso é o da Rodoviária, cujo elevador está parado, não tem piso tátil e apresenta diversas armadilhas para os deficientes.

Após a visita, foi construída uma rampa para cadeirantes no prédio. O que poderia ser solução, virou risco de vida. Diante de diversas reclamações, a reportagem voltou ao local nesta semana. O cadeirante João Francisco Clemente testou a rampa e atestou os problemas.

“A rampa acaba no asfalto e a inclinação é irregular, deve ser menos acentuada. Para subir, exige força e trabalho de tronco, o que nem todo cadeirante tem. No fim há um elevado, que dificulta mais. O cadeirante se esforça muito para subir, e tem lombada”, fala.

João afirma que a rampa passa pelo terminal de onde saem táxis, o que oferece risco de acidentes. “Quem usa a rampa são cadeirantes, nada mais justo do que consultá-los sobre as dificuldades que enfrentam. Eu a teria feito do lado oposto, longe da entrada e saída de veículos. Adaptações no prédio são necessárias. O elevador poderia dar acesso ao hall da rodoviária”, ponderou, alertando as autoridades.

Assistente social da Associação dos Deficientes de Montes Claros (Ademoc), Helder Lopes reforça a preocupação com a construção. Para ele, alguns prédios mais antigos não têm como ser adaptados, mas, a rampa, mesmo sendo recente, não teve aprovação dos principais interessados. “Infelizmente, ignoram a opinião de quem vai usar o equipamento. Se tivessem ouvido um cadeirante, fariam da maneira correta. Literalmente, do jeito que foi feita, eles têm que disputar espaço com os veículos”, alertou.

Sem apoio no 7 de Setembro
Pela primeira vez na história de Montes Claros, pessoas com deficiência foram para a avenida desfilar, no último 7 de Setembro, sem o apoio logístico da MCTrans. Documento solicitando esse apoio foi oficializado no órgão, mas, de acordo com o vereador Valcir Soares (PTB), “sequer houve uma resposta”.

Valcir destacou que, na abertura da Semana da Pátria, uma atleta paraolímpica teria carregado a tocha até a prefeitura, entretanto, o desfecho, em 7 de Setembro, deixou a desejar, pela falta de apoio oficial à pessoa com deficiência. O desfile é usado para chamar atenção da sociedade sobre a inclusão.

“Fizemos ofício, solicitamos transporte especial e, para nossa surpresa, o presidente da MCTrans não respondeu. Procuramos as empresas de transporte e nos disseram que nenhum documento foi encaminhado pela MCTrans. Quem tinha transporte próprio foi, mas a maioria não pôde comparecer. Fica a nossa indignação. Na data da Independência foi tirado do deficiente o direito de ir ao 7 de Setembro”, lamentou o vereador.

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