O Transporte Especial para atender pessoas com deficiências em Montes Claros funciona há 13 anos, com os veículos cedidos pelas duas empresas que operam na cidade. Uma com quatro veículos e capacidade para cinco pessoas e a outra com cinco carros de quatro lugares. Uma das empresas, a Transmoc, estaria descumprindo as regras do contrato com o conhecimento da MCTrans, responsável pelo agendamento e fiscalização do serviço.

Ana Maria Gusmão é mãe do adolescente Rafael. Aos 15 anos, ele depende do Transpecial para ir à escola e às consultas médicas. Recentemente, o menino sofreu uma queda dentro do veículo. 

“Mexeram no elevador, mas não limparam o óleo dentro do veículo. A cadeira derrapou e meu filho caiu em cima de mim. Consegui ampará-lo, mas poderia ter acontecido algo mais grave. Ainda sinto dores no braço por causa disso. Fiz a reclamação por escrito à MCTrans e não houve resposta”, contou a mãe.

Ana chegou a dizer que ouviu de um funcionário da MCTrans que, em um universo de 900 cadastrados, apenas duas solicitações não seriam suficientes para buscar solução junto à empresa de transporte e a reclamação poderia soar como uma situação pessoal. Ao alertar sobre a substituição do ônibus tradicional, sem adaptação, que eventualmente é enviado no lugar dos especiais, o funcionário disse a ela que “antes isso do que nada”.

Katherine Soares, advogada e cadeirante, diz que, no lotação, que nem poderia circular com essa função, há apenas um lugar para cadeirante e já foram colocadas três pessoas nessa condição no mesmo veículo. Com os veículos precários, os usuários não conseguem cumprir a agenda de consultas.

“Um ocupa o lugar e os outros dois vão soltos no corredor. Há meses estamos passando por isso, eles não cobram a manutenção dos carros. Chegaram ao cúmulo de nos transportar em uma picape suja e fedida. Amarraram a cadeira atrás, com cordas, e o passageiro na cabine. O que mais nos aflige é que várias reclamações já foram feitas, mas eles não nos dão retorno”, lamenta Katherine Soares.
 
RESPONSABILIDADE
A MCTrans foi procurada pela reportagem, mas nenhum funcionário assumiu a responsabilidade sobre o serviço. Um deles disse que quem responde pelo assunto é a empresa, mas que a MCTrans teria enviado 12 notificações à Transmoc. A diretora do setor, Viviane Tanure, estava em reunião nos dois turnos e não retornou o contato da reportagem.

Na Transmoc, empresa citada pelos usuários, três funcionários do setor atenderam ao telefone, mas se recusaram a dar informações. Disseram que apenas o setor jurídico se manifestaria, tão logo fosse comunicado. Mas, até o fechamento da edição, não houve retorno.

A Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Montes Claros (ATCMC), à qual são associadas as duas empresas, reforçou que só a Transmoc poderia dar explicação e que, de fato, existe dificuldade de comunicação com a empresa.

Sem resposta
O presidente da MCTrans, José Wílson Guimarães, foi procurado para falar sobre a rampa e o desfile cívico, mas não atendeu às ligações.

O secretário de Desenvolvimento Social, Aurindo Ribeiro, disse à reportagem, por telefone, que estava na estrada e funcionários saberiam informar se há programação para o mês da pessoa com deficiência, mas os indicados por ele não atenderam ao telefone e/ou não souberam responder.

Leia mais:
Montes Claros não resguarda pessoas com deficiências