Editorial - Greve dos anestesistas: quem realmente paga a conta?

Jornal O Norte
Publicado em 18/11/2010 às 16:53.Atualizado em 15/11/2021 às 06:44.

Depois de exatos 13 meses, chegou ao fim a mais duradoura paralisação de um segmento, que chegou a ser taxada de interminável: a greve dos anestesistas de Montes Claros.



O fim da greve parecia tão remoto que muitas pessoas residentes em Montes Claros chegaram a transferir o domicílio eleitoral para outras cidades para ter acesso ao procedimento cirúrgico pelo SUS.



Dentre as exigências, os anestesistas queriam reajuste mensal de 500%.



Apesar de alguns jornalistas divulgarem que foram os anestesistas, “que decidiram suspender a paralisação”, o término da greve se deu não por consenso ou diálogo, mas por determinação judicial, através de liminar expedida pelo juiz Braga Baeta Neves, da 4ª Vara Cível de Montes Claros.



A liminar, além de determinar a volta imediata do atendimento, também prevê que o anestesista pague multa no valor de R$ 800, por dia, para cada cirurgia eletiva, ou seja, sem caráter de urgência, que deixar de ser realizada pelo SUS, a partir de agora. Já o hospital terá que pagar R$ 100 por dia.



As mais de sete mil cirurgias eletivas acumuladas em decorrência da greve deverão ser realizadas em até seis meses. A secretaria municipal de Saúde de Montes Claros fará uma escala de atendimento nos hospitais Aroldo Tourinho e Santa Casa, na verdade, um mutirão, para cumprir a determinação judicial no prazo.



Se os treze meses do movimento foram de luta por aumento de salário para os anestesistas, para muita gente foi um período de dor e sofrimento. Principalmente para as pessoas mais carentes, que não têm condições financeiras para pagar por um atendimento particular. São inúmeros os casos que, a princípio, eram eletivos, mas que, por falta da intervenção cirúrgica, se tornaram casos de urgência, inclusive com risco de morte.



Mesmo com a determinação do fim da greve e volta imediata ao trabalho, os advogados dos anestesistas prometem recorrer ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Ou seja, a paralisação só vai acontecer se a justiça mantiver a determinação.



No período de greve, em nenhum momento, os anestesistas consideraram a possibilidade de manter o atendimento enquanto as negociações aconteciam, mesmo sabendo pessoas sofriam e poderiam morrer se não passassem pela cirurgia.



Fica, então, a reflexão sobre até que ponto o célebre juramento feito no dia da formatura, que promete colocar a vida acima de quaisquer interesses é verdadeiro.

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