Terezinha Camposterezinhaorquidea@gmail.com

Saudade Doída da Escola Técnica de Montes Claros

Publicado em 07/07/2022 às 23:14.

Com o advento da criação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste – Sudene – e o consequente movimento de industrialização da cidade de Montes Claros, no Norte de Minas Gerais, houve uma súbita elevação na demanda por profissionais com qualificações, até então, pouco convencionais para os padrões locais.

Soldadores, mecânicos industriais, eletricistas e vários outros profissionais precisavam ser formados na própria região. Mas, por que formar uma escola? Por que uma instituição de direito privado e não fazer uso dos programas governamentais ordinários para preparação da mão de obra? Daí vem as circunstâncias e motivações que levaram à criação da Escola Técnica, unidade de ensino dedicada a educação profissional de nível médio da Fundação Educacional de Montes Claros, de sua instituição até 2001, ano em que, por força da lei , houve a extinção da SUDENE.

Em 1976 a ACI cria a Fundação Educacional de Montes Claros (FEMC), entidade de direito privado, sem fins lucrativos, para gerir a Escola Técnica, que herdaria a infraestrutura do NAI ( Núcleo de Apoio Industrial) e teve suas atividades iniciadas em salas alugadas no bairro Melo; no ano seguinte, uma parceria com a Prefeitura Municipal de Montes Claros possibilitou a sua transferência para o prédio da Escola Municipal Marcelina Lopes, no bairro São João, até então formado por três blocos de salas de aula, ambientes administrativos e de apoio, além de uma quadra poliesportiva. A ideia era constituir uma trajetória natural para os alunos de 1º grau para o 2º grau integrado ao curso técnico.

Nos últimos 43 anos, a atuação da Fundação se tornou regional e beneficiou, com cursos de qualificação, 47 municípios do norte e Minas. Seu serviço de integração escola-empresa encaminhou mais de seis mil alunos ao trabalho, e qualificou em cursos de curta duração mais de 12 mil alunos. E mais de 50 mil alunos foram preparados para a vida e para o mercado de trabalho.

Em janeiro de 2020 tivemos a triste notícia do encerramento das atividades da Escola Técnica. Notícia funesta, pois ali fora palco das mais tocantes emoções vividas por alunos e por pais, que por ali trilharam.

A Escola Técnica (FEMC) foi o segundo lar dos alunos, que para lá afluíram para o estudo do ensino fundamental ( 5ª a 8ª série) hoje( 6º ao 9º ano) e o ensino profissionalizante; mas não foi apenas isso, a FEMC acolheu os seus alunos de forma patriarcal, fazendo-os se sentirem em segurança participativos em sala de aula e nos eventos promovidos pelo Corpo Docente, que a constituía.

Três de meus filhos estudaram ali e ali desfrutaram de bons momentos; os Jogos Internos da Escola Técnica (JIET) deixavam os alunos em êxtase.

Por isso eu chorei quando soube que a FEMC havia encerrado suas atividades.

Com o coração agradecido aos que por ali trilharam levando dedicação, conhecimento e amor faço minhas as palavras do poeta português Guerra Junqueiro:

“Lá da minha distante e encantadora infância, desse ninho de amor e saudade sem-fim, chega-me ainda a sua angélica fragrância como uma harpa eólia a cantar a distância, como um véu branco ao longe inda a acenar por mim!”

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