Terezinha Camposterezinhaorquidea@gmail.com

Floresça

Publicado em 01/09/2022 às 23:19.

Na vida existe dois tipos de plantas e de pessoas. Algumas se adaptam às condições do lugar e do clima, e outras não se adaptam e tornam-se improdutivas ou morrem. Sem dúvida é válida a máxima: “Floresça onde está plantado.”

A experiência do jovem astrônomo amador Leonardo Amaral foi destaque na mídia. A partir de um laboratório montado na casa da família, no dia 23 de julho de 2020, ele conseguiu a façanha de descobrir um novo cometa a mais de 800 milhões de quilômetros da Terra. O feito foi tão inusitado que sua descoberta foi notificada pela comunidade internacional de astronomia em uma publicação oficial do renomado MPC ( Minor Planet Center ). Como ele fez isso? Que ferramentas usou?

Amante da astronomia, o jovem resolveu construir um observatório amador. De lá, ele costumava tirar tempo para observar o movimento dos planetas. Em uma dessas ocasiões, observou um ponto se deslocando entre as estrelas. Ao prestar atenção àquele movimento, descobriu algo diferente e que seria e que passaria despercebido por quase todo mundo.  Sem formação em física ou astronomia, sem telescópio profissional e sem patrocínio da NASA, esse jovem realizou algo que muitos cientistas sonham em fazer, mas não conseguem.

Essa história nos mostra que, enquanto muitos esperam as condições ideais para realizar determinadas coisas, outros criam essas condições. Enquanto muitos aguardam as coisas melhorarem, outros provocam a melhoria das coisas.

Enquanto muitos reclamam da falta de apoio, outros superam e avançam sozinhos. Enquanto muitos se acomodam ao perceber que outros também estão parados, outros olham para cima e sonham em transpor os próprios limites e alcançar grandes feitos. Ele, Leonardo Amaral, floresceu onde estava plantado.

Nós vivemos enfrentando desafios, os mais diversos; hoje eu enfrento o desafio de constituir AJEB. A princípio mesmo depois de dizer sim à querida Mara Parrela, minha amiga dos claros montes de nossa querida Montes Claros, eu hesitei. Hesitei, fiquei indecisa, perplexa mesmo, depois abracei o convite com a alma ,com o coração, com o cérebro e pude contemplar a beleza de um chamado de Deus, pois é Deus quem permite tudo e Ele com sabedoria usou a Mara para me valorizar e me contemplar com tão preciosa dádiva; depois eu me lembrei de outros que Deus usou lá no meu passado distante, o meu pai ,por exemplo, que me ensinou a ler; fui para a escola lendo ; e meu saudoso pai que não teve vida na escola, mas que na escola da vida ele aprendeu a necessidade de se interpretar os escritos, que estão à nossa volta. E foi assim que na escola da vida ele aprendeu a leitura através de tudo que o rodeava: rótulos, jornais jogados fora, livros abandonados com mofo, assim ele aprendeu a leitura e ensinou-a a mim. 

Outros contribuíram para que chegasse aqui hoje: Olavo Bilac foi o poeta de minha infância; Castro Alves, Cecília Meireles, Zalina Rolim, Henriqueta Lisboa e tantas ,tantas outras, que me fizeram florescer onde estou plantada.

A minha proposta na minha chegada nessa Associação é eliminarmos o Memoricídio de escritoras brasileiras esquecidas pela história realçando suas obras, no caminho das letras e da libertação: Antonieta de Barros, Bárbara Heliodora, Delfina Degnina, , Joana Manso, Maura Lopes Cançado , entre outras.

Quero fazer minhas as palavras da escritora Nísia Floresta Brasileira Augusta: “Que as mulheres possam vencer as trevas, que lhes obscurecem a inteligência, e conhecer as doçuras infinitas da vida intelectual.”

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