Terezinha Camposterezinhaorquidea@gmail.com

Duas mulheres revestidas de sabedoria

27/05/2022 às 00:05.
Atualizado em 27/05/2022 às 11:56

O curso de Literatura da Academia de Letras de Juiz de Fora (ALJF) nos brindou, na quarta-feira, dia 18 de maio, com a apresentação sobre Thereza da Conceição Aparecida Domingues, nascida em 6 de dezembro de 1936 e falecida em 19 de dezembro de 2019, aos 83 anos. Após a conclusão do 2º grau, entrou para o noviciado do convento das Irmãs Missionárias, em Santa Tereza. 

Seguiu para a Congregação de Volta Redonda e, depois, para Uberlândia, onde retomou seus estudos que só foram concluídos em 1963 em Letras (Português e Francês), pela Universidade Federal de Goiás, onde também fez pós-graduação em Orientação Educacional. Estas informações foram dadas por Cecy Barbosa Campos, na sua apresentação de Thereza em evento de posse da cadeira 31 da Academia Juiz-forana de Letras, em 27 novembro de 2019.

“Passou uma infância feliz ao lado de duas irmãs e um irmão, tendo a oportunidade que as crianças de hoje não têm de brincar nas ruas, nos arredores do sobrado em que viviam, com os irmãos e a criançada da vizinhança. Andar de bicicleta era uma de suas diversões prediletas, mas nada se igualava a uma bem disputada brincadeira de Bandido e Mocinho, na qual se entretinha por horas a fio, dando asas à imaginação em animadas aventuras que só eram interrompidas, sempre a contragosto, pelos chamados da mãe.

Encantada pelos livros e pela literatura, lia de gibi a Monteiro Lobato. Teve publicado, em 2006, pela UFV, o livro “As múltiplas faces de Os servos da morte, de Adonias Filho: uma leitura interdisciplinar”, fruto de sua tese de doutorado. Neste livro, ela faz uma abordagem junguiana dos personagens, demonstrando amplo conhecimento na área.

De 1987 a 1989 ajudou a organizar o mestrado em Letras, na UFJF. Foi membro da Comissão de Biblioteca do ICHL. Em 1992 foi professora da Faculdade de Santa Marcelina Muriaé e, em 1996, é incorporada ao quadro de professores do CES como vice-coordenadora do programa de pós-graduação e como professora dos cursos de graduação e de mestrado.

Estudou Psicanálise no Liceu Freudiano (JF), conhecimento que utilizou em diversos artigos seus. Thereza Domingues leu João Mineiral, livro de contos de Cleonice Rainho e sobre o mesmo escreveu: “Levo-o sempre comigo em viagem, longe das min(h)as gerais... Quando a saudade de meu povo aperta, é só abrir João Mineral e comungo com a paisagem, as gentes, os bichos deste rincão, desfilando de manso em cada linha desta poetisa que se fez contista sem perder a poesia”. Neste escrito, Thereza demonstra que, apesar de ser carioca, tinha um grande amor por Minas Gerais.

A exposição feita por Luciane Fontes foi alguma coisa de impressionante! Teve-se a impressão de que ela e a Thereza cresceram juntas, comungando ideias e viveres, tamanha a grandeza da sensibilidade que a possuiu no momento da apresentação.

Foi uma grande escritora apresentada por outra imensa pesquisadora, que se envolveu de forma plena, num instante tão sublime e magistral, que lhe emprestou a graça e maestria. Uma escritora que usou vários instrumentos líteroartísticos alcançando os nossos corações e aguçando as nossas lágrimas na exposição de tanta beleza da Luciane Fontes.
 

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