Terezinha Camposterezinhaorquidea@gmail.com

Coragem de uma leoa

Publicado em 23/06/2022 às 23:19.

Desde cedo, Rosa conviveu com o medo. Passou algumas noites acordada com o avô, que segurava seu rifle na varanda para atirar, caso os homens de Klu Klux Klan tentassem invadir sua casa. Bem jovem, tornou-se empregada doméstica e aprendeu a costurar. Aos 19 anos, casou-se com um membro de uma organização em defesa dos direitos civis dos negros.

Um dia, voltando do trabalho, entrou num ônibus lotado com mais três colegas negros, assentando-se nos locais destinados a eles. Ao entrarem mais brancos, o motorista mandou os quatro se levantarem. Três obedeceram, mas Rosa se recusou e foi presa. Um protesto a seu favor reuniu cinco mil pessoas, lideradas pelo jovem reverendo Martin Luther King, recém-chegado à cidade. 

Nos dias seguintes, Luther King liderou os negros num boicote do transporte coletivo, por 382 dias, causando prejuízos aos brancos, chamando a atenção mundial. Finalmente, o tribunal federal declarou ilegal a separação entre negros e brancos nos ônibus.

O ato solitário de Rosa iniciou o movimento que pôs fim à segregação legal na América, tornando-a inspiração em muitos lugares do mundo. De ilustre e desconhecida costureira, ela se tornou líder e símbolo da luta pelos direitos humanos. Nelson Mandela lhe disse: “Você me deu ânimo durante todos esses anos na prisão”.

Rosa foi condecorada com medalhas importantes no Congresso Americano. Em 2013, quando completaria 100 anos, os Correios dos EUA emitiram um selo chamado “Para sempre Rosa Parks”. Quando morreu, em 2005, aos 92 anos, os obituários a apresentavam como uma mulher de baixa estatura, doce e de fala mansa, tímida e reservada, mas com a coragem de uma leoa.

A coragem para defender a justiça, apesar das consequências, é uma das marcas das pessoas autônomas e livres. Jesus Cristo também defendeu a justiça e a causa dos menos favorecidos. 

E em nossos dias temos várias causas que demandam a nossa simpatia, com disposição de nossa parte para enfrentarmos os riscos: as mulheres, as crianças e adolescentes, os jovens e, sobretudo, o idoso estão esperando o nosso envolvimento na defesa de suas causas. Temos visto idosos em filas quilométricas em bancos e hospitais; e tendo sua vaga tomada no estacionamento, embora ali tenha uma placa assegurando o seu direito.

Que nós nos inspiremos pela coragem de grandes homens e mulheres e defendamos os direitos dos que são vulneráveis. Não devemos nos sentir temerosas, mas que sejamos como Rosa, movidas pela coragem de uma leoa, pondo fim ao sofrimento dos que carecem de nossa simpatia!

(Do livro “Sublime Beleza”, de Mirian Montanari Grüdtner)

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