O sonho de qualquer ser humano pelo mundo afora, atualmente, é ser imunizado contra a Covid-19. Indiferente a esse sonho, a Secretaria de Saúde de Montes Claros parece não se importar com a segurança das vacinas que o Ministério da Saúde destina para o município e para seus cidadãos.
Recentemente, foi relatado o furto de 319 doses de vacina em um posto de saúde da cidade. Agora, a notícia é a de que mais de 4 mil doses foram descartadas por problemas técnicos. Sem dúvida, um tapa na cara da sociedade e, principalmente, de quem está aguardando, ansiosamente, na fila a vez de ser vacinado.
Mas o que esperar de um município onde furar fila se tornou rotina e até exemplo para que a população se vacinasse? Em um município onde não existe transparência sobre os recursos recebidos para o combate ao vírus e nem sobre como tais recursos foram investidos? Nada a esperar...
Não existe nem mesmo a preocupação em manter as doses, tão escassas, em segurança, como demonstra o roubo das mais de 300 doses. E nem mesmo após a casa arrombada e roubada, no caso, o posto de saúde, a administração reforçou a segurança, em uma demonstração de total descaso com o bem coletivo, com a coisa pública.
Para justificar a perda, que daria para vacinar quase 2.500 cidadãos montes-clarenses, considerando a primeira e segunda doses, os gestores municipais alegam que o roubo, as perdas por problemas técnicos e por questão de envasamento estão absolutamente dentro do que admite o Ministério da Saúde. Pode ser legal, mas, definitivamente, não é nada moral... Enquanto isso, mais da metade da população do município segue sem ser imunizada.
Sem dúvida, se as perdas se tornarem rotina e forem naturalizadas, como tem sido feito, a imunização da população permanecerá sendo feita em doses homeopáticas, e, sem dúvidas, mais e mais famílias vão perder entes queridos para o vírus. Enquanto a falta de zelo com o bem público perdurar em terras tupiniquins, a população, parte mais frágil do elo dessa corrente nada do bem, continuará perecendo. Ai de nós!