No recôndito da solidão, enclausurado na frieza. Longe da própria emancipação, e diante da incerteza do resultado pleno, se transcorre a dúvida, seja formulada pela própria insegurança no percurso, ou até pela ausência de gabarito que confirmasse o suprimento da dúvida.
Essa é a razão do tédio, do silêncio e do distanciamento de si mesmo. Ícaro ousou voar permeando o sol, por crer que sua convicção não há de falhar, ou pelo menos tentou. Suas asas flamejaram e sucumbiram. Mas seu entusiasmo não poderia sucumbir.
Afinal, o silêncio há de ser sempre absoluto? Ou nas margens do próprio pensamento poderemos encontrar caminhos de delírios que circulam e encaminham o andar pendular de quem não sai do lugar, por acreditar que escuta certos sinais?
E os sinais, sejam eles sonoros, ou até mesmo visuais, eles são realmente o que poderiam ser? São fruto da arquitetura dos jogos do universo? São como acidentes de trânsito que chocam os ouvidos dos receptores? Ou seriam luares infinitos que obscurecem estrelas cada vez mais distantes? Ou seja, seriam expectativa, flertes, impacto ou antolhos?
Fato é que o silêncio nos prega peças, mas quando sinalizamos anseio pelas respostas aos ouvidos, seremos alvo dos desenfreados disparos de balas entrelaçadas pelo múltiplo existir de fatores que influenciam os efeitos sonoros principais, que se intensificam por influência dos acessórios.
Há de ser assim. Estaremos sempre no epicentro dos estímulos que nos são enviados. E se quisermos concentrar nossa audição, alguns sons, dentre todos, será preponderante, e esse som, dessa forma, só existe vagamente, pois se constitui em detrimento dos demais sons descartados. É isso meus caros, não existe silêncio absoluto, nem bloqueios que não possam ser revertidos.
Pois nossos ouvidos se curvam ainda às fugazes percepções dos nossos próprios pensamentos. E tais pensamentos escolhem o que querem ouvir, ou melhor, o que querem acreditar, pois tudo há de ser um delírio, e poderá ser uma alucinação constante. Que quiçá passará a ser o barulho, e não mais o silêncio.