Pedro MartinsEscritor, Ciências Jurídicas e Agronômicas

No balanço da rede

Publicado em 04/07/2023 às 19:00.

É no balanço da rede que encontramos a nossa intimidade. Que nunca estará associada a nudez, ou a um terceiro. A intimidade diz respeito a nossa própria mente. Qualquer fim de tarde pode ser gatilho para que mude de vida. Qualquer domingo de tédio pode ser a válvula de escape da própria preguiça.

Basta entendermos que quanto mais confortáveis, mais distantes dos nossos sonhos estaremos. A não ser que seus sonhos sejam estáticos, e se forem, tenho pena. Enquanto a rede movimentar, sempre haverá circuitos de expectativas, prontos para garantir energia para finalizar o que se dispôs e a dar início a novos projetos.

Sabemos que neste balanço, quando esgrimarem os ganchos que seguram a rede escutaremos a mobilidade do nosso próprio pensamento. E se o pensamento consegue realizar travessias tão repentinas no ato do ócio, por que não podemos realizar travessias tão repentinas no ato do nosso próprio movimento?

E lá, no interior de si mesmo, que poderemos ver a que viemos na terra. E criando para nós mesmos, a missão de nossas vidas, que poderemos estabelecer quais são as tarefas diárias. Descansar mais do que o suficiente já é realidade para maioria, inclusive para mim. Mas por qual motivo ainda insistimos em querer descansar mais?

Isso se dá pelo fato de esquecermos que a rede balança. Acreditamos que o simples fato de deixarmos estar superados no próprio ócio poderá nos fazer balançar. Por isso que o balanço da rede, provocado pelo entusiasmo de bater as próprias pernas na parede, ou também, sendo o fruto do balanço provocado por um terceiro, encontraremos a ótica do movimento.

E este é o movimento mais desejado. O pendular, em que nos encontraremos no mesmo lugar após o balanço, fazendo com que tudo passe a ser mais uma extensão da rotina. Caso contrário, viveríamos como andarilhos sem rumo, que contam vantagem da própria aventura mundana, mas perderam a normalidade.

Já não são normais por terem abandonado a rede estática, sem se permitir balançar. E não se permitindo balançar, esses ditos aventureiros, estão cada vez mais próximos do fracasso de si mesmo, pois deixaram de estar no centro de si mesmos, e se prostituíram no balanço da rede dos alheios. E nessa estrada da perdição, nunca mais poderão encontrar, seu cantinho, pois seu cantinho já não mais produz qualquer sensação de intimidade.

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