Pedro MartinsEscritor, Ciências Jurídicas e Agronômicas

Contos

Publicado em 24/10/2023 às 20:53.

Todo conto se refere necessariamente ao exagero. Não representa em hipótese alguma a expressão da realidade em si mesma. As pessoas não são capazes de narrar o que aconteceu, nem conseguem precisar o que vai acontecer, então tudo será imaginário a partir do primeiro verbo expresso em um conto.

Isso significa, que qualquer tentativa de aproximação para com a verdade real das coisas se perde no sentido subjetivo que uma palavra pode ter para cada um. E qualquer sentença ou oração terá o vício de não conseguir expressar a mesma intensidade para pessoas diferentes.

Dessa forma, não há como considerar um conto como um fim em si mesmo, e tão somente como o meio pelo qual se exerce a máxima da interpretação das coisas, sob os olhos de quem fala. 

Por isso, tratamos agora, das pessoas que não importam com os contos. Não tem vínculo afetivo com o passado ou intenções para o futuro distante. O agora, acaba sendo a resolução máxima de quem quer viver um conto, um conto contado pelo perpassar do tempo que cria a natureza única de cada momento vivido.

Esse, eu diria, é o único conto plausível de ser reverenciado como verdadeiro. Pois este, deriva da própria realidade do presente, que imanente no âmbito da realidade física, nos faz emergir como verdadeiros cavaleiros rumando no destino inevitável de que depois do segundo presente, vem o segundo seguinte.

E nesse caminhar, vamos correr, e nessa corrida, iremos suar. Ao ponto do calor, ser necessário para que o passo seguinte reguemos nossa alma com a lógica de quem quer fugir da ação que causa a reação.

Por isso, diria que sempre, necessariamente, o esforço mínimo, cria o único conto real, qual seja, o presente. A dádiva do presente. O único momento plausível de mudança, a metamorfose da alma do corpo em si mesmo. 

Dessa forma, que se constitui a informação de que quem vive para esbravejar, necessariamente, vira contos, contados por outros. 

Que extrapolando a verdade real das coisas, admiraram o momento presente de outro, que na revolução simples do dia a dia, marcou com ternura ou irreverência, o motivo de mentirem nos contos, que como concluímos, nunca será a verdade, e tão somente a admiração ou a inveja do contador de histórias. Por isso que a fofoca ou o saudosismo, são nada menos do que ilusões pretensiosas.

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