Coluna Fala Sério: Ser ou não ser? Esta é a decisão!

Jornal O Norte
29/05/2009 às 10:14.
Atualizado em 15/11/2021 às 07:00



Ó céus! Ó vida! Ó dúvida cruel!

E lá vão eles, com o próprio crânio na mão, no melhor estilo do Hamlet “shakespireano”, pensando se vão ou não ser, fazer ou não fazer, ter ou não ter, ir ou ficar, sair ou entrar, cair ou levantar, rir ou chorar, e muitas outras indefinições que vocês agora devem ter completado por imaginar que as teria esquecido. Eles quase vão, mas o tempo não! O tempo passa, mas eles ficam!

Ser ou não ser! E onde a decisão? Ó céus! Ó vida! Ó dúvida cruel!

Em uma das empresas em que trabalhei, havia um rapaz que toda semana tinha horário com sua psicóloga. Uma das faxineiras, um dia olhou bem direto no seus olhos, e mandou uma sentença que nunca mais saiu da minha cabeça: “Eu, sou pobre e não posso me dar direito a essa “frescura”, e quando preciso decidir alguma coisa, decido!” Recebeu de volta um olhar que, de tão feroz, seria capaz de gelar até a alma: “Tá vendo? Prá que essa tal de “psiquicoisa” que você vai, se não é capaz sequer de decidir se me responde ou não? Quando decidir, eu já fui!”

A única coisa que ficou de certeza, na hora, é de que ele teria mais uma lágrima para derramar no sofá do consultório.

Ó céus! Ó vida! Ó dúvida cruel!

Na maioria das vezes não percebemos, mas os exemplos de vida ou lições para esta, vem em qualquer lugar que se estiver. Captamos esta em uma parada de ônibus, com pessoas reclamando da demora do coletivo. Mas duas mulheres conversavam ou “fofoqueavam” sobre gente de novelas. Uma delas falava da noticia que lera em uma coluna de jornal de que determinada atriz estava procurando uma analista. A outra disse simplesmente: “É falta de ter com que se preocupar! Ela precisava é fazer como nós, ver o que há na lista do dia a dia, luz, água, feijão, arroz, aluguel... iria ficar boazinha, boazinha, logo, logo!” E deu uma sonora risada.

É por essas e outras de que cada vez me convenço mais de que se ainda não estamos piores na relação com nossos semelhantes é por causa dos pensamentos e jeito de ver as coisas das pessoas mais simples. Certo que, em nem todas suas máximas estão as soluções, mas imaginemos nossos governantes administrando seus países tais como seus lares, dando importância ao que tem real valor e necessidade.

Lamentavelmente, entretanto, ainda vemos jovens, adultos e velhos que ficam com seus próprios crânios na mão, citando sem parar William Shakespeare, “Ser ou não ser, eis a questão!”, e deixam o tempo passar procurando um buraco para fazer como o avestruz, esconder sua cabeça deixando o resto de fora. Salvam nosso dia a dia aqueles que, mesmo diante de inúmeras adversidades vão em frente, em busca de seus sonhos e realização de seus projetos, embora não se consiga entender como aqueles que continuam com seus corpos, tendo braços e pernas completamente desvinculados de suas cabeças, ainda se perguntando como os outros conseguem ser felizes e eles, não.

Bem diz aquele ditado “Que em terra de cego quem tem um olho é rei!”, mas pode ser também caolho, bastando que , para aceitar seus erros use somente o que não enxerga.

E você? Vai decidir ou vai ficar olhar o tempo passar?

Putz! Mil vezes putz!

Ó céus! Ó vida! Ó leitor indeciso!

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