Sempre pai

Luiz Carlos Amorim (*)
Publicado em 12/08/2022 às 21:31.

Dia dos Pais se aproximando e isso deixa mais vivo na memória que minha filharada está tão longe, que a casa está vazia e isso dá uma saudade danada. Fernanda mora na França, mas embarca pelo mundo de vez em quando. Daniela está em Lisboa. Ela e Pierre Aderne também viajam bastante, menos agora por causa da pandemia e também porque o Rio era muito pequeninho, mas como agora ele tem três anos, já vieram ao Brasil. 

Temos estado em Lisboa, nos últimos anos, pois com a chegada do Rio, moramos metade do ano lá e metade aqui no Brasil. Dá para matar um pouco da saudade de Daniela, do neto e de Pierre. Uma vez em Portugal, é mais fácil visitar Fernanda, fica muito mais perto. Mas quando estamos aqui no Brasil, ah, que falta que fazem! No Dia dos Pais, então... 

Não só aumenta a saudade, mas me faz pensar no privilégio de ser pai. É interessante que até algum tempo atrás, quando era um pouco mais jovem, achava que era um ótimo pai. O tempo foi passando, passamos a ver tudo com mais clareza. Comecei a tomar consciência de que não fui aquilo tudo.

Queria ter ficado mais tempo com elas, queria ter vivido mais a infância delas, queria ter aprendido mais com Fernanda e com Daniela, queria ter trabalhado menos e vivido mais a adolescência delas. Queria ter aprendido com elas a dar mais carinho, a expressar melhor os sentimentos, queria ter sido mais pai. Queria não ter ficado longe delas por dois anos, por causa do trabalho, vendo a família só no fim de semana. Isso faz falta.

Sei que fizemos alguma coisa certa, eu e Stela, pois nossas meninas são pessoas educadas, inteligentes e capazes, solidárias e carismáticas. Mas sei também que eu poderia ter sido um pai melhor.

Então, o grande presente que tenho, sempre, em qualquer dia, até no Dia dos Pais, é ter sido pai de pessoas de almas e corações tão grandes e abençoados. O tempo de vê-las crescer foi o tempo mais feliz da minha vida.
 
PS.: Já passou mais de trinta anos, mas ainda não consigo escrever sobre a perda de nossa pequena Vanessa, que se foi muito rápido, no dia seguinte ao de sua chegada. Ainda dói muito. Mas posso falar de Rio, o anjo que veio para nos salvar na pandemia. É uma criatura abençoada, e a gente esquece de tudo quando está com ele.  

Feliz Dia dos Pais a todos os pais e avós, que foram pais também.

(*)Escritor, professor, editor e revisor 

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