Saia da zona de conforto

José Roberto Lima
05/05/2022 às 00:03.
Atualizado em 05/05/2022 às 09:52

No início da década de 80 a televisão brasileira produziu a minissérie “bandidos da falange”. Naquela época, quando ainda não se falava em quadrilhas como o “PCC”, a “falange” já apavorava os bancos em várias capitais do Brasil.

Quando os membros daquele grupo criminoso foram presos, prenderam também alguns inocentes, que foram confundidos com os bandidos. Um advogado conseguiu demonstrar essas injustiças e várias ordens de soltura foram expedidas.

Um dos beneficiários, ao sair da cadeia, desabafou: “Há um mundo lá fora que é uma prisão pior do que essa”. A intuição indicava que ele continuaria a ser condenado. Nem os familiares e nem os colegas de trabalho acreditariam na inocência dele.

Com medo dessa condenação social, a prisão se tornara, enfim, sua zona de conforto. Exageros e dramas à parte, também existe quem prefira ficar em relacionamentos que não passam de uma prisão em zona de conforto.

Não investe em um relacionamento que realmente vale a pena, tornando o outro uma pessoa melhor. Afinal, mesmo quando alguém teve um “senão” de comportamento, torná-lo melhor faz os dois mais felizes. Mas, renunciando à felicidade para garantir a zona de conforto, há quem prefira dar ouvidos a quem tem medo de ser feliz. 

Assim também ocorre nos concursos. Conheço vários funcionários públicos que eram destratados numa repartição. E eis que surge um novo concurso que propiciará bons salários e um melhor ambiente de convivência entre os novos colegas. 

No entanto, é nesse momento que o ambiente de destrato torna-se falsamente maravilhoso. E os colegas sugerirem: “Larga esse concurso para lá. Dinheiro não é tudo. Você não encontrará um lugar tão bom quanto o nosso para trabalhar”.

Assim, seja nos relacionamentos ou nos concursos, não se contente com prisões em zonas de conforto. Não dê ouvidos a quem jamais sairá dessas zonas. 

Pessoas desse tipo se incomodam com as virtudes e capacidades que você tem. Porque elas sabem que você, além de tornar a repartição pública um lugar melhor, também tornará melhor a pessoa do seu relacionamento.

Então, cedo ou tarde, você acreditará no seu coração para investir nas circunstâncias, nas coisas, nos concursos e nas pessoas que realmente merecem o seu investimento. Tomara que seja mais cedo do que tarde.

Basta isto: tenha coragem de sair da zona de conforto. Acredite em si mesma e na sua capacidade de tornar o outro uma pessoa melhor, com ou sem “senões” que ficaram no passado. E seja feliz para sempre.

A todos eu desejo bons estudos.

(*) Advogado, professor de Direito Penal, autor de “Como passei em 16 concursos”, escreve neste espaço aos domingos

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