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Pelo fim das gambiarras

João Borges*
Publicado em 17/01/2023 às 22:13.

Fazer gambiarras virou meme nas redes sociais. Um fiozinho puxado aqui, uma extensãozinha ali, uma emenda meio a Deus dará e pronto! Alguém metido a MacGyver cria um ar condicionado improvisado usando ventilador e caixa cheia de gelo, aparato que é um prato cheio para os usuários da web, que costumam decretar: ‘agora o brasileiro vai ser estudado pela Nasa!’.

Esses improvisos podem comprometer parte ou até a totalidade do sistema elétrico e hidráulico da residência. Uma gambiarra feita para economizar trocados pode se transformar em prejuízo de milhares de reais.

Algumas são praticadas com muita frequência. Vai dizer que você não tem tomada com um ou mais ‘T’s conectados? Quem faz isso pode desconhecer o risco de sobrecarga que a união de equipamentos num mesmo terminal pode provocar.

Outro hábito: deixar fios e extensões soltos, formando aqueles emaranhados – atrás do móvel da TV e do computador. Pequeno desgaste em um cabo, em contato com outro, pode ser suficiente para queimar equipamentos ou provocar incêndio.

Atire a primeira pedra quem nunca usou aparelho com o fio esticado. O mau contato pode “fritar” a ponta da tomada, levando a um risco de incêndio. Como se pode ver, gambiarras estão em muitas casas. Aí que mora o maior problema.

Situações que mostram o quanto nos expomos a situações perigosas dentro de casa, que colocam em risco nossos bens, a estrutura do imóvel e nossa própria vida. O mais adequado é fugir sempre dos improvisos e recorrer a soluções seguras, que obedeçam às normas de segurança.

Além disso, é essencial dispor de um projeto bem elaborado para a rede elétrica, que leve em conta as características do imóvel e a sua funcionalidade. Quem pode oferecer isso é um engenheiro especializado, que considera diversos fatores para tornar os pontos bem distribuídos, sem afetar outros sistemas que também passam por trás da parede. Escolhas que interferem diretamente na qualidade da casa, assegurando mais segurança aos moradores.

Precisamos, também, desmitificar a ideia de que gambiarra é algo genuíno do brasileiro, e que o tal jeitinho, se é que existe, não funciona na construção civil. Quanto maior o nível de exigência da obra, que deve ser de excelência, menor será o risco de problemas no futuro. E isso, definitivamente, não tem preço.

*engenheiro eletricista e gestor de projetos

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