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Mais segurança e progresso nas rodovias

Emir Cadar Filho*
Publicado em 26/02/2025 às 19:00.

Quando o assunto é concessão de rodovias e a instalação de pedágios, especialmente em regiões estratégicas como o Vetor Norte da Grande Belo Horizonte, a reação inicial costuma ser de resistência. Pagar para trafegar em vias antes gratuitas desperta dúvidas legítimas, mas um olhar mais amplo – baseado na lógica socioeconômica – revela que a proposta vai muito além da simples cobrança.

Ao abandonarmos o discurso raso e nos debruçarmos sobre a complexidade da questão, enxergamos a vocação da iniciativa para promover um salto de qualidade na infraestrutura e, consequentemente, na economia de Minas. A recente proposta do governo estadual, que abrange mais de 120 quilômetros de rodovias e 13 municípios, é uma resposta aos anseios da grandeza da RMBH que reúne características logísticas invejáveis. Cortada pela BR-040, BR-381 (Fernão Dias) e BR-262, conecta o nosso estado aos principais pólos econômicos do país. 

Estamos diante de uma rara conjunção de fatores que pode transformar a RMBH em um verdadeiro hub logístico nacional. Não se trata de uma utopia ou de um devaneio tecnocrático. Com as concessões federais em andamento nessas rodovias, o momento para Minas assumir o protagonismo é agora. Afinal, como dizem, o mineiro não perde o trem — muito menos a chance de impulsionar a economia e gerar ganhos sociais reais.

A oposição ao pedágio, muitas vezes baseada em desconhecimento ou em argumentos excessivamente simplistas, tende a desconsiderar os ganhos práticos da concessão. A duplicação da MG-424, as novas faixas na MG-10 e a construção de contornos rodoviários não são apenas maquiagem urbanística. Elas trazem menos acidentes, menos tempo perdido no trânsito e mais eficiência logística.

A crítica ao custo do pedágio também merece ser examinada sem paixões. Sim, haverá um custo, mas é preciso ponderar o que se recebe em troca. Uma redução esperada de 45% nos acidentes, suporte mecânico e emergencial 24 horas, melhor sinalização e vias mais seguras não são benefícios triviais. Em uma sociedade que gasta bilhões com os efeitos de acidentes de trânsito, cada vida salva tem um valor inestimável.

Além disso, a agilidade no deslocamento proporcionada pelas novas obras traduz-se em ganhos reais para o cidadão e para o empresariado. Reduzir o tempo de viagem em 30%, como previsto, significa menos estresse, mais produtividade e mais oportunidades de negócios. Permitir que as cidades da RMBH deixem de ser meros dormitórios para se tornarem motores do desenvolvimento regional é uma aposta que vale a pena.

A implementação do pedágio no modelo free flow, sem as tradicionais cancelas, responde à preocupação legítima com a mobilidade urbana. O fluxo contínuo reduz o impacto no dia a dia das pessoas, e os descontos progressivos para usuários frequentes mostram que o governo busca um equilíbrio entre arrecadação e sensibilidade social.

Por fim, se Minas Gerais realmente aspira alcançar o patamar dos grandes centros urbanos, é necessário abandonar o receio quase atávico à modernização da mobilidade urbana. O mundo há muito adota modelos de concessão de rodovias e colhe os frutos dessa decisão. Não há razão para crermos que o que funciona lá fora falhará aqui.

O momento exige mais do que discursos fáceis. Ele requer coragem para implementar soluções complexas e a maturidade para entender que, em questões públicas, o ótimo muitas vezes é inimigo do bom. Minas Gerais tem a oportunidade de dar um salto — mas para isso, precisa deixar o medo na estação e embarcar no trem do futuro.

*Vice-presidente da FIEMG e presidente do Conselho de Infraestrutura da FIEMG (COINFRA)

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