O Brasil, terra abençoada por Deus e castigada pela incompetência humana, enfrenta mais uma epidemia de dengue. O cenário é preocupante: milhares de trabalhadores afastados, empresas sobrecarregadas e um sistema de saúde que mal consegue respirar. E por que isso acontece? Porque, entre outros fatores, seguimos asfaltando o país sem planejamento e sem responsabilidade ambiental.
A dengue é uma velha conhecida nossa, mas parece que, a cada ano, somos surpreendidos por ela como se fosse uma novidade. Os números impressionam: só em 2024, mais de 15.700 trabalhadores foram afastados pela doença, impactando diretamente a economia. O setor da construção, que ironicamente pavimenta nosso desenvolvimento, foi o mais atingido. Curioso, não?
E por falar em construção, vamos ao asfalto. Ah, o asfalto! Símbolo de progresso para alguns, de descaso para outros. Ele avança implacável sobre cidades e bairros, cobrindo o chão com sua camada negra e quente. Onde antes havia solo permeável, agora há apenas uma superfície impermeável, onde a água da chuva escorre sem controle, formando poças e criadouros perfeitos para o mosquito Aedes aegypti. Resultado? Mais casos de dengue.
O Brasil é um país tropical, sujeito a chuvas intensas, mas parece que nossas administrações ainda não entenderam que não basta cobrir tudo com asfalto e esperar que a água desapareça por mágica. Falta planejamento urbano, drenagem eficiente, áreas verdes para absorver o excesso de água. Em vez disso, seguimos expandindo cidades sem estrutura, sem saneamento adequado e sem consciência ambiental.
O impacto da dengue não se limita à saúde pública. Ele pesa diretamente no mercado de trabalho, atingindo principalmente as micro e pequenas empresas, que já vivem no fio da navalha. Enquanto o governo e os especialistas debatem estratégias, os pequenos empresários veem seus funcionários adoecerem e seus negócios sofrerem com a ausência de mão de obra.
Em 2025, os números da dengue começaram a cair, mas ainda estamos longe de uma solução definitiva. E, como sempre, se não houver medidas concretas e eficazes, voltaremos a esse mesmo ciclo no próximo verão.
O combate à dengue precisa ir além da distribuição de repelentes e da eliminação de criadouros. É preciso repensar nossas cidades, investir em infraestrutura adequada, e entender que desenvolvimento não pode significar apenas mais concreto e menos verde. Caso contrário, seguiremos adoecendo – no corpo e na economia – enquanto o mosquito ri da nossa falta de planejamento.
*Jornalista, radialista e Filósofo