Loucuras urbanas

Vitrine Literária / 10/07/2021 - 08h01

É sempre oportuno quando a gente encontra um bom livro para ler. Agora mesmo estou deliciando com as narrativas prazenteiras de José Almeida Souto Filho, ou Zé Filho, como ele gosta de ser chamado, na leitura de “Loucuras Urbanas: a terra é plana e a lua uma rodoviária”. É bem verdade que a nossa vida se resume num caminho longo e plano, não obstante as curvas sinuosas e os elevados de momentos que sempre nos incomodam. 

O caminho de loucuras urbanas nos leva ao endereço previamente determinado. Portanto, as alucinações de Zé Filho em nos contar “estórias da vida” também amenizam o estresse de cada um de nós nestes tempos de pandemia.

O diálogo utilizado pelo autor, em cada trecho, lembra-nos a vida catrumana dos nossos antepassados. Assim, a literatura “minerês” se faz presente, página por página, sem nenhum tipo de preconceito ou de timidez no soltar a língua. Não seria outra a maneira simples e contagiante do autor em emitir conceitos sobre tudo e sobre todos. 

De peito aberto, sem constrangimentos e sem medos, ele consegue falar com divertimento as coisas mais sérias do seu falatório. Numa época em que ainda mergulhamos no puritanismo, numa época em que os estudos de gêneros não passam de divagações filosófica-literária, sobretudo no conceito do certo ou errado, o autor Zé Filho tem as suas posições firmes para entreter os seus leitores no melhor dos sentidos.

Jack Estresse e a sua primeira cagada nada mais é do que um miniconto onde o sentimento aflora e que nos faz rir ou chorar. “Jack Estresse é, realmente, o estereótipo de todos nós, que somos regidos por um modelo de comportamento que dita as normas: você não pode ser o que é, mas o que os outros querem que você seja”.

Em “Miolo na Parede”, uma comovente e triste história de vida de uma menina sonhadora que se suicida de modo não muito bem recomendável. Então, o Jack Estresse – estressado e o Durango Kid são fatos que realçam o descontentamento do ser humano.

A cena descrita pelo autor ao entrar num ônibus retrata com fidelidade a angústia e o desassossego do cidadão. E assim ele finaliza num desabafo irônico: “Estou chateado com tudo e todos, roubaram o meu assento no ônibus...”.

As construções literárias de “Loucuras Urbanas” podem não agradar os leitores mais tradicionais, pelo uso de palavras incomuns do nosso cotidiano, ditas e repetidas a todo momento e sem contestação. Entretanto, a escrita é mais forte do que a fala e ela imortaliza o que a gente escreve. Como bem disse o prefaciador, José Nailton Silveira de Pinho: “Este é o caminho de uma viagem há muito preparada”.

Pois bem, o sonho que ora se realiza, com todas as dificuldades e por todas essas razões, sensatas e lógicas, que não se lhe apresentam como oportunidade em demonstrar, com clareza, a importância da liberdade de expressar, mas e sobretudo o mágico momento de dizer o que quer e o que todos nós desejaríamos dizer.

Para finalizar estas minhas considerações sobre a obra de Zé Filho, quero aqui ismicuir no mundo visionário do Quersabê & Quijasabe e dizer que o sexo não é tudo! 

– “Num é tudo, mais ieu sem ele num sou nada”. Assim é a literatura do autor, um monte de letrinhas, em linhas retas, preenchendo o vazio de dentro da gente. Parabéns, Zé Filho, e muito sucesso na arte de fazer versos & prosa! Um amplexo!
 

O diálogo utilizado pelo autor, em cada trecho, lembra-nos a vida catrumana dos nossos antepassados. Assim, a literatura “minerês” se faz presente, página por página, sem nenhum tipo de preconceito ou de timidez no soltar a língua

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