A água em Montes Claros

Frida e Pagu / 14/09/2021 - 00h01

Em 1856, a população de Montes Claros pedia saneamento das águas empoçadas e suas febres e água encanada vinda dos rios, então caudalosos. Foram implantados o abastecimento de água em 1930 e a rede de esgotos em 1939.

Uma postagem de Wagner Gomes no Facebook mostra uma foto da ETA – Estação de Tratamento de Águas de Montes Claros datada de 1938. Foi construída na parte mais alta da zona urbana, no topo do bairro Morrinhos.

A ETA Morrinhos é responsável pelo tratamento de 36% da água utilizada, enquanto a ETA Verde Grande trata 64%, mas em 2021 oferece 36% do total. Há ainda os poços artesianos. Neste mês, segundo a Copasa, a barragem de Juramento tem 29,74% de água em seu interior.

Montes Claros, de estimados 413 mil habitantes entre fixos e flutuantes, tem escassez hídrica e o abastecimento exige ginástica dos técnicos e autoridades. 

O precioso líquido vem do Sistema Verde Grande, referente aos rios Juramento e Saracura, da captação do Pacuí (56 km) e Porcos, da captação de Rebentão dos Ferros e Pai João, como também virá da captação do rio São Francisco.

Prevista para entrar em funcionamento em maio de 2022, será uma adutora de 146 km até Ibiaí, que será ligada à de Pacuí, garantindo água pelos próximos 50 anos.

Em seu livro “Confissões”, Darcy Ribeiro conta uma peraltice de criança levada a cabo na caixa d’água da cidade, onde despejou certa quantidade de azul de metileno, azulando a água de todos.

Na década de 1960 era comum faltar água no centro da cidade. Havia a ETA, mas, quando chovia, o líquido chegava em seu estado natural, barrento, às torneiras. Piabas vinham junto com a água.

Pouco tempo atrás, a região viveu sete anos de seca, quase sem chuva nenhuma. Diante da angústia e aflição, a maioria evitava o desperdício, mas há aqueles que não pensam no coletivo.

Desencadeou-se um longo período de restrição hídrica, tendo água na rede dia sim e dois dias não. A população teve de aprender a economizar e a valorizar seu bem mais precioso.

Com a pandemia e a intensiva lavação de mãos, passou-se a gastar mais e o sistema de rodízio de bairros parou, havendo água todo dia. O período de seca acontece agora. É preciso lavar as mãos sim, mas quem puder economizar, que faça isso. Além do mais, a água está caríssima.

 

 

 

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