Pergunte ao seu candidato: qual é a sua agenda para o empreendedorismo?

Espaço do Empreendedor / 07/10/2020 - 00h01

Enfim, chegamos ao período mais agitado nos 5.570 municípios brasileiros e pergunto: você conhece as pautas, agendas e propósitos dos seus candidatos? Quais serão as suas entregas e sob quais condições essas serão concebidas nos próximos quatro anos?

Normalmente, não misturamos muito política e empreendedorismo. Tradicionalmente, empresário cuida de empresa e prefeito governa seu município, distritos e assim está muito bom. 

Entretanto, temos observado ultimamente em várias gestões municipais, inclusive aqui, no Norte de Minas, diversos gestores públicos que têm abraçado e lançado mão de projetos com foco no empreendedorismo para melhorar o próprio desempenho e obter resultados concretos junto aos moradores. 

Considerando que a prefeitura é um empreendimento público, devidamente gerenciada sob regras muito específicas, que incluem gestão orçamentária, prazos, receitas, despesas, funcionários e usuários tanto quanto um outro negócio qualquer, cujo CNPJ legitima a sua funcionalidade e razão de existir, esse cuidado faz todo sentido. 

Prefeitos são gestores que lideram pessoas, conhecem os processos, se articulam com os demais líderes de suas comunidades, em esferas e instâncias que vão além da sua comarca. Investem em áreas vitais (Saúde, Educação, Infraestrutura, Agricultura, Cultura e Assistência Social) e, ao mesmo tempo, podem e devem ser importantes indutores de negócios nos próprios municípios, sobretudo se houver ali pessoas com perfil e estrutura adequadas para gerenciar uma importante secretaria – a de Desenvolvimento Econômico. 

Mas é tão simples assim? Uma boa pasta/departamento, agentes municipais competentes e vontade política são suficientes para os negócios surgirem, crescerem e se consolidarem? Possivelmente não, mas é o início de um bom projeto de desenvolvimento para aquele território, ainda que em médio ou longo prazo, que viabilizará resultados admiráveis, cujos ganhos serão percebidos pela população. Não basta ter elementos favoráveis, é importante que haja convergência de propósitos, ancorada por um forte sentimento de pertencimento e preservação do território. 

Em nossa cruzada pelos 89 municípios que compõem o Norte de Minas, o que mais observamos ao dialogar com as comunidades locais de empresários, comerciantes, feirantes e artesãos são uma dificuldade quanto à comunicação e um distanciamento entre o poder público e as pessoas que promovem negócios e geram renda em cada cidade por meio dos seus empreendimentos. Não há uma aproximação estratégica, bem assistida ou espontânea. O empreendedor geralmente alça voo e encontra seu espaço no mercado de maneira muito solitária, sem setas, norteando-se apenas pelo senso de realização – feeling, como afirmam alguns. Em alguns municípios podemos encontrar experiências coletivas, por meio das ACIs, CDLs, cooperativas de produção ou associações que geralmente respondem a alguns dos anseios dos empreendedores. Mas, em geral, essas experiências são isoladas ou possuem baixa conexão com o poder público. 

 

 

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