De repente... outra vez?

Pilar Literário / 12/03/2021 - 00h01

Brumadinho sofreu deslizamento causando prejuízos incalculáveis ao meio ambiente; a barragem de Brumadinho estava desativada e fazia parte do Córrego do Feijão. Ela faz parte do Complexo Minerador Paraopeba, de propriedade da Empresa Vale. 

A tragédia trouxe inúmeros prejuízos às comunidades ao redor da cidade mineira e levantou debate em torno das medidas de segurança, que devem ser adotadas em todas as barragens espalhadas pelo país. No dia 25 de janeiro de 2019, a Barragem I da Mina do Córrego do Feijão desabou, causando um verdadeiro “tsunami” de rejeitos sobre a comunidade. 

Foram 250 mortos e 20 desaparecidos num desastre ambiental que disseminou animais, plantas, árvores, contaminando rios e ceifando vidas de famílias inteiras, numa catástrofe ecológica sem precedentes. 

A identificação dos corpos foi demorada e muitos que faleceram eram funcionários da Vale. O resgate contou com a participação do Corpo de Bombeiros, Exército Brasileiro, Exército Israelense, Voluntários, Força Aérea Brasileira, Defesa Civil dentre outros órgãos. Foi uma verdadeira mobilização nacional e internacional, com a doação de alimentos, água, roupas e cobertores.

Mara Parrela, literata brasileira nos Países Baixos, convidou-me para assistir a um vídeo que ela acaba de lançar nas redes: “Memorial Brumadinho – Marco Zero: Sensibilidades”, onde ela protesta num manifesto sua tristeza notória quanto às perdas sofridas pela tragédia ambiental.

Ela presta serviço no Consulado-Geral do Brasil nos Países Baixos, na cidade de Roterdã, desde 2011. Dedicada à Literatura, é proprietária da Editora Árvore Alta, na Holanda, tendo já publicado vários livros. 

Num gesto de nobreza, Maria Parrela, apesar do tempo que mora fora do país, está conectada ao mesmo pela dor e o sofrimento buscando alguma forma de resgate. Nascida em Montes Claros, tem a ligeireza da mulher mineira e a determinação da mulher sertaneja. Sinto-me feliz por aqueles que se juntam a nós na conquista dos direitos humanos.

Naquela tragédia não foram carregados somente corpos, muitos resgatados pelo Corpo de Bombeiros, esses grandes mestres do amor. Foram levados sonhos, projetos, foram vidas que desceram sob forma de lixo para deixarem o silêncio, a solidão, a dor e o murmúrio dos poucos que ficaram. E as famílias enlutadas choram os seus entes amados. Que é deles? Para onde foram? Onde estão os seus sonhos?

O Marco Zero de Brumadinho será o amor, quando for resgatado no ambiente físico de cada pessoa a fé, a esperança, e, então, a restauração da Natureza e da Vida naquele lugar, para torná-lo o lugar da preservação, da continuidade da vida, do encantamento de viver com segurança. 

Veio-me à mente uma musiquinha que o Topo Gigio cantava todas as noites para que as crianças fossem dormir: O relógio bate é hora de... No final ele cantava assim: “Amor, saúde e paz pra todo o meu país, por um mundo novo mais bonito e mais feliz!”

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