Terceira onda?

Editorial / 31/03/2021 - 00h38

Falta de medicamentos, escassez de oxigênio, profissionais da saúde no limite, leitos em falta. A segunda onda da pandemia de Covid-19 deixou o sistema de saúde no Brasil, que estava no limite, ainda mais caótico, precisando urgentemente de uma UTI. E as notícias desanimadoras não cessam. Para completar o quadro, chegam da França notícias ainda mais desanimadoras. Lá, a terceira onda já se instalou.

De acordo com o noticiário, a nova onda que está varrendo o país tem infectado, principalmente, crianças e jovens com idades entre 10 e 19 anos e provocado o colapso no sistema de saúde. Embora lá não faltem medicamentos, os leitos estão tão disputados quanto aqui.

No entanto, o fato de os países vizinhos não estarem enfrentando uma nova onda é um alento, já que poderão, não apenas contar com ajuda financeira, mas com suporte na saúde. Já por aqui, com o esgotamento total do sistema, pensar na chegada de uma terceira onda, que atinja crianças e jovens, parece um cenário de terror.

Mesmo porque, o que se tem visto no país europeu é que, embora as crianças e jovens não fiquem muito tempo internadas, elas têm apresentado sequelas que perduraram por meses, mesmo as que tiveram sintomas mais leves. Para casos como este, de dar assistência contínua a quem apresentar sequelas ou complicações como resultado da infecção pelo vírus, o sistema público de saúde do Brasil também não parece estar preparado ou estruturado para suportar.

Prever se o Brasil terá ou não terceira onda ou outras ondas é muito prematuro e especulativo, mas que dá aquele frio na espinha, sem dúvida dá. A partir do que estamos vivendo nessa segunda onda, com toda a estrutura comprometida e com o número crescente de vidas perdidas, é fato que o país não irá suportar. 

Sem estrutura, teremos um número ainda maior de óbitos. Por isso, é fundamental não apenas conter o vírus e o contágio nessa segunda onda, mas, sobretudo, melhorar a estrutura para, caso apareçam outras ondas, o país não seja pego, novamente, de surpresa. A omissão nesse caso, pode ser ainda mais castrófica...

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